Nome de Alckmin foi confirmado por Lula durante reunião ministerialFabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta terça-feira, 31, que seu vice Geraldo Alckmin estará em sua chapa para concorrer à reeleição na disputa presidencial deste ano.

O anúncio foi feito por Lula em reunião ministerial no Palácio do Planalto. A reunião serve de balanço da gestão petista e despedida dos ministros que precisam deixar seus cargos para disputar cargos eletivos na campanha de 2026.

O vice-presidente Geraldo Alckmin acumula a função com a de ministro da Indústria e Comércio. Havia pressões políticas para Alckmin abrir a vaga de vice na chapa de Lula para disputar o Senado em São Paulo.

Nesta terça, Lula encerrou o assunto a anunciar que Alckmin estava saindo do ministério para disputar a presidência ao seu lado, de novo como vice. 

"Companheiro Alckmin que vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez. E ele vai deixar o MDIC", afirmou.

Além disso, o presidente comentou a situação de outros ministros Disse que José Múcio, da Defesa, fica até o fim do governo porque ele foi chamado para ficar um ano e completará todo o mandato. Simone Tebet, do Planejamento, deixará a Pasta para disputar o Senado por São Paulo. 
Ao menos 18 ministros vão deixar o governo até quinta-feira
O presidente Lula que pelo menos 18 ministros vão deixar o governo até a noite da quinta-feira, 2, por conta do prazo de descompatibilização exigido pela legislação eleitoral para políticos com cargos no Executivo que desejam disputar as eleições. Segundo Lula, mais auxiliares podem deixar a Esplanada, mas precisam avisá-lo com antecedência

"Pelo menos 14 companheiros já comunicaram que deixarão o governo. A partir de hoje (terça), mais quatro companheiros que vão anunciar daqui a pouco. E depois, quem sabe, mais alguns, porque até quinta-feira à noite é tempo de me avisar", disse Lula.

Lula disse ainda que os ministros que serão candidatos a cargos no Legislativo devem ajudar a mudar a "promiscuidade" que, segundo ele, existe no Congresso Nacional. Segundo o presidente, a política perdeu a "seriedade". Lula parafraseou uma máxima do ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães.

"Perdeu muito de seriedade a política. O doutor Ulysses Guimarães, quando a imprensa estava dizendo que era preciso reformar, que era preciso mudar, ele dizia sempre que toda vez que se discute mudança, o resultado é para pior. E eu não canso de dizer que a política piorou muito", afirmou o presidente.

Lula também se queixou do que chamou de "situação de degradação" de instituições da República e afirmou que a política virou um "negócio". "Outro dia alguém me disse que um deputado federal não será eleito por menos de 50 milhões de reais. Se isso for verdade, nós chegamos ao fim de qualquer seriedade na política brasileira", disse Lula.

O presidente também afirmou que os ministros candidatos terão "orgulho" de destacar o trabalho deles no Executivo.

Em tom de brincadeira, o presidente disse que haverá baixas de ministros que ainda não são candidatos, mas ajudarão na campanha É o caso do ministro da Educação, Camilo Santana, que pode ser lançado como candidato ao governo do Ceará para substituir o governador do Estado, Elmano de Freitas (PT). Pesquisas apontam que Camilo é um nome mais forte para enfrentar o candidato tucano, Ciro Gomes (PSDB).

Quem for disputar as eleições em outubro precisa deixar cargos no Executivo até o sábado, 4.
Novos ministros não devem criar novos programas
O presidente Lula afirmou na reunião ministerial que os novos ministros que vão assumir as pastas nesta semana, com a saída de metade da equipe por conta do prazo de desincompatibilização de quem possui cargos no Executivo e vai disputar as eleições, terão o dever de concluir o trabalho do governo, sem a criação de novos programas. A ordem de Lula foi que os ministérios não devem começar "tudo outra vez".

"Nós temos uma máquina funcionando há 3 anos e 4 meses. Ela está funcionando. Eu não quero que nenhum ministério comece tudo outra vez, inventar um novo programa de governo. Não tem novo programa de governo. A máquina está aí andando e ela tem que continuar andando", afirmou Lula.

O presidente também destacou que escolheu para grande parte das vagas deixadas nas pastas os secretários-executivos - os número 2 de cada ministério - para haver uma continuidade das iniciativas do mandato. A obrigação deles, segundo Lula, é concluir os projetos.

Lula também anunciou a nomeação de Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil, como a nova ministra da pasta. Em tom de brincadeira, o presidente disse que os auxiliares vão conhecer "a força da mulher".

"Agora vocês vão saber a força da mulher. Porque não é mais o Rui Costa que vai chamar vocês, é a Miriam Belchior que vai encarar vocês. Esse rosto angelical dela é só hoje. A partir de amanhã vocês vão ver como é que as coisas vão acontecer aqui", disse o presidente.