Seis fintechs ligadas ao PCC movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 em lavagem de dinheiroMarcello Casal Jr / Agência Brasil
Das seis fintechs investigadas, uma chamou a atenção do Gaeco e da Receita por operar cerca de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024, segundo a investigação. As seis fintechs são apontadas como parte crucial da estrutura financeira do esquema e teriam mantido as irregularidades mesmo depois da Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, que é considerada pela Promotoria a maior ofensiva contra a lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis.
'Dupla camada de ocultação'
Ainda de acordo com o Ministério Público, os fundos registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano e integram um robusto núcleo financeiro usado pela facção para movimentações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, transações entre empresas e fundos de investimento
A Receita apontou que, até 2025, as instituições de pagamento não eram obrigadas a enviar a e-Financeira, declaração usada para registrar movimentações de clientes. Sem essa obrigação, o rastreamento das operações era limitado.
No caso da Operação Fluxo Oculto, três das seis fintechs investigadas entregaram a e-Financeira, informando cerca de R$ 8 bilhões em movimentações em 2025. As outras três já foram autuadas por não apresentarem a declaração.
Alvos
Ao todo, a operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em cinco Estados. Em São Paulo, a ação ocorreu na capital e nas cidades de Arujá, Atibaia, Barueri, Santos e São José do Rio Preto. Os agentes, que contaram com apoio das Polícias Civil e Militar, também realizaram buscas em Cascavel e Paranavaí, no Paraná; em Iguatemi, em Mato Grosso do Sul; em Belo Horizonte, em Minas Gerais; e no Rio de Janeiro.
Entre os principais alvos da operação estão empresas do grupo Ceopag, em São José do Rio Preto e Barueri; do grupo Sispay, instalado em conjuntos comerciais na Rua Joaquim Floriano, no Itaim-Bibi; do grupo Smart Solutions, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; e do grupo Yaw, com endereços em Alphaville e no centro de Belo Horizonte. A investigação também alcançou a Ello Gestora de Recursos Ltda, com endereços na Vila Nova Conceição e na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. A reportagem do Estadão pediu manifestação de todos os grupos citados. Até as 20h de ontem, só o grupo Yaw enviou nota, dizendo que "não mantém nenhum vínculo ou ligação com organizações criminosas".
De acordo com a Promotoria, as empresas eram usadas para compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis, movimentações entre empresas e fundos de investimento administrados pela organização criminosa, além do pagamento de colaboradores e de despesas pessoais dos principais operadores do esquema.
A investigação também aponta que o esquema utilizava familiares, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para abrir empresas em diversos Estados, para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações. A Receita disse ainda ter identificado transações de ao menos R$ 365 milhões em criptoativos envolvendo empresas suspeitas de lavar dinheiro para organizações investigadas em outras operações.
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