Declarações de Wagner declarações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que a Polícia Federal (PF) fez uma "patacoada" na operação de busca e apreensão contra ele e disse ter conversado a respeito da "narrativa" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações ocorreram ao jornal Folha de S.Paulo, em entrevista publicada nesta sexta-feira (26).
Em 18 de junho, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal no âmbito do caso do Banco Master. A corporação suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Ao jornal, Wagner afirmou que disse a Lula que houve "espetacularização" e "patacoada" na operação.
"Falei. 'Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe'. O senador disse também: "Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele (Lula) que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização".
Em outro trecho da entrevista, Wagner declarou: "Questiono a exposição absolutamente inconveniente e não determinada pelo magistrado que preside a ação. Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia vai continuar nesse tipo de espetacularização, eu acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta".
O petista acrescentou: "Eu não estou pedindo que não me investiguem, só estou dizendo para não fazer a patacoada que fazem. Aquela foto foi para tudo que é capa de jornal. Eu acho que isso é condenação a priori". Em relação à operação em si, o parlamentar disse que "construíram uma tese" e que "não vão provar'.
"Acham que a empresa foi construída para me servir e vão correr atrás de provar essa tese", disse. "Porque o outro lado diz o tempo todo: 'Tudo começou na Bahia'. Eu vou repetir: nada começou na Bahia. Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto Campos Neto e seu Banco Central. Se foi errado, se foi certo, só estou dizendo o seguinte: só foi concretizado o Banco Master no governo Bolsonaro".
Wagner frisou que não é Lula quem está sendo atacado, mas, sim, ele mesmo. O senador admitiu ter conhecido Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, na época da negociação do Credcesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia em 2018. O cartão foi operado pelo Banco Master.
"Quando privatizamos a Cesta do Povo, em 2018, o cartão foi junto. Não existia (Daniel) Vorcaro, não existia Master. O banco virou sócio do Augusto Lima em 2019, se não me engano", disse Wagner.
Em relação à decisão de se afastar da liderança do governo no Senado, anunciada na quarta-feira, 24, o parlamentar declarou: "Era importante ter uma conversa pessoal com o presidente. Quando ele me ligou, no dia do episódio, foi primeiro para se solidarizar, e, depois, perguntar se era bom continuar ou não. Eu disse que minha cabeça era não entregar (o cargo), mas ontem (quarta-feira, 24) fui lá conversar".
Wagner acrescentou: "Ele (Lula) disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas (a defesa e a liderança). Então, decidi me afastar". O petista foi substituído pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado.