Carlos Bolsonaro disse que prisão do pai é 'política'Roosevelt Pinheiro/Agência Brasil

O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-SC) afirmou que visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado (04), e que o pai está "ciente de tudo". A fala ocorre em meio à recente crise familiar no clã Bolsonaro.
Em publicação nas redes sociais, o ex-vereador e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina diz que, embora preso em regime domiciliar e sem acesso à internet, o pai tem conhecimento do que acontece fora de casa.
"Ele está ciente de tudo o que se passa aqui fora, embora esteja, obviamente, impedido de acessar conversas nas redes sociais", escreveu.
Carlos relatou que, antes de sua visita, o ex-presidente também recebeu o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sem dar mais detalhes ou citar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), o ex-vereador disse que a conversa entre o pai e o irmão foi "muito boa e tranquila".
Na postagem deste sábado, Carlos Bolsonaro também fez críticas à prisão do pai, que classificou de "política". Nesta sexta-feira (03), o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes renovou o regime domiciliar do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão no processo de trama golpista.
"Hoje visitei meu pai em sua prisão política domiciliar, impedido de receber visitas de qualquer pessoa que não sejam seus filhos. É uma determinação extremamente incomum, mas o objetivo é óbvio: impedir que ele converse com pessoas que possam servir de voz fora do cárcere", afirmou.
Crise familiar
Recentemente, Michelle e Flávio Bolsonaro foram pivôs de uma crise familiar. A ex-primeira-dama publicou, em 24 de junho, dois vídeos em diz ter sido "humilhada" e "maltratada" pelo senador depois de criticar o apoio do partido à candidatura de Ciro Gomes no Ceará. A postagem gerou um pedido de desculpas de Flávio, que declarou que o episódio seria um "gesto não comprendido".
Depois das críticas ao enteado, Michelle se afastou da presidência do PL Mulher, a ala feminina do partido, na última terça-feira (30). Na ocasião, disse que a decisão do desligamento teria sido motivada pela necessidade de se dedicar "integralmente" aos cuidados com o marido e a filha. 
A crise ganhou mais um contorno nesta sexta-feira (03). Michelle fez elogios à Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), lançada pelo Ministério da Educação do governo de Lula (PT), a qual disse ser "um sonho realizado". Depois da repercussão negativa entre a base bolsonarista, a ex-primeira-dama afirmou que a defesa das pessoas com deficiência é uma pauta que está "acima de qualquer ideologia ou partido".
* Reportagem do estagiário Victor Louro, sob supervisão de Thalita Queiroz