Flávio Bolsonaro afirmou que Jair Bolsonaro é o último obstáculo para que o Brasil não se torne uma ditaduraAFP
"Hoje, muitas pessoas já têm a convicção de que o Bolsonaro nunca foi ameaça à democracia, muito pelo contrário", declarou. "O Bolsonaro era e continua sendo o último obstáculo para que este País não degringole de uma vez por todas em uma ditadura", acrescentou.
As declarações foram dadas durante a participação do candidato na reunião quinzenal da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
Flávio afirmou que a permanência do PT no Palácio do Planalto colocaria em risco a liberdade de expressão nas redes sociais. "Você quer continuar fazendo seus comentários livremente nas redes sociais? Vote em Flávio Bolsonaro. Porque, se virar o ano, você muito provavelmente, quando fizer uma crítica ao governo, vai ser preso por ameaçar a democracia", disse.
O candidato também dirigiu o apelo aos jornalistas. Segundo ele, integrantes da imprensa deveriam apoiar sua candidatura, caso queiram preservar o direito de criticar o governo. Flávio acusou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguirem fontes jornalísticas.
Ao tratar da relação entre os Poderes, o candidato afirmou que a atual composição do Congresso Nacional seria mais compatível com um governo como o do seu pai. Para Flávio, as dificuldades enfrentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Legislativo levam o Executivo a recorrer ao STF.
"A gente vê as dificuldades do atual governo com a sua governabilidade, tendo que lançar mão do Supremo Tribunal Federal para conseguir governar, o que é uma demonstração de fadiga da nossa democracia, que, na minha concepção, não é plena hoje em dia", declarou.
Flávio também afirmou que Lula "faz mais mal para o Brasil do que a pandemia". Para justificar a declaração, mencionou o endividamento da população, o aumento dos gastos públicos e a carga tributária.
"Tem mais gente endividada hoje, com dificuldade, do que estava na pandemia. É o governo gastador. E, para gastar mais, aumenta a arrecadação, aumenta a carga tributária, e ninguém aguenta mais pagar imposto", disse.
O candidato voltou a criticar a reforma tributária e afirmou ter votado contra a proposta por defender que ela deveria reduzir, e não apenas manter, a carga de impostos. Segundo Flávio, o País não pode começar o próximo ano com uma tributação de "no mínimo 28%" sobre o setor de serviços.
Na área energética, Flávio acusou o governo federal de ter perdido a oportunidade de explorar petróleo na Margem Equatorial Ele também afirmou que, se eleito, formará um governo com ministros escolhidos por critérios técnicos.
O candidato defendeu ainda maior liberdade para que os trabalhadores escolham sua carga horária e disse que o Bolsa Família não deve ser "a última coisa" que o Estado oferece aos beneficiários. Não detalhou, contudo, como pretende alterar a legislação trabalhista ou reformular o programa de transferência de renda.
Em outro momento, o candidato atacou as universidades públicas. Sem apresentar provas ou identificar instituições e episódios específicos, acusou esses estabelecimentos de promoverem "ensaios pornográficos entre adultos e crianças" com recursos públicos.
Flávio também declarou que, "salvo raras exceções", os diretórios acadêmicos das universidades federais "parecem a Cracolândia" e acusou estudantes de permanecerem nas instituições até os 40 anos sem se dedicar a áreas consideradas estratégicas.
"Vou montar um time de ministros, com homens e mulheres, com a Dani, que está aqui, pessoas competentes, pessoas que não vão se servir do dinheiro público, mas que vão emprestar sua capacidade e sua competência", afirmou durante o evento Veja Top 30 Melhores Empresas do Brasil 2026, realizado na capital paulista
Daniella atua como uma das principais coordenadoras da equipe econômica da campanha de Flávio e participa da formulação do plano de governo. Ela é apontada por aliados e integrantes do mercado financeiro como um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda ou uma eventual pasta da Economia.
A ex-presidente da Caixa também defende a redução do número de ministérios. Flávio não confirmou qual cargo pretende oferecer a Daniella caso vença a eleição.
O candidato afirmou que pretende formar uma equipe com pessoas honestas e preparadas para administrar os recursos públicos. Segundo ele, essas características estariam ausentes no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Uma coisa que está faltando muito neste governo são pessoas honestas, que tenham vergonha na cara quando olham para a situação econômica do Brasil e queiram dar o seu melhor", declarou.
Flávio também atribuiu ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a aprovação da autonomia do Banco Central. "Graças a Deus, o Bolsonaro já conseguiu, durante o seu governo, fazer o Banco Central independente", disse.
Na comparação entre as duas gestões, o candidato afirmou que as empresas estatais registraram superávit de R$ 18 bilhões durante o governo de seu pai, enquanto teriam acumulado déficit superior a R$ 35 bilhões sob Lula. Flávio não especificou o período nem a metodologia utilizados nos números apresentados.
"As estatais lucraram com o presidente Bolsonaro. Deram R$ 18 bilhões de superávit. No governo de agora, são mais de R$ 35 bilhões de déficit", afirmou.
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