Flávio Bolsonaro declarou ainda que está tranquilo quanto a situação e que a produção do filmeJefferson Rudy/Agência Senado

Em agenda de campanha em Boa Vista-RR, Flávio Bolsonaro (PL) criticou o ministro Flávio Dino e classificou como "interferência política" a ação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, 10, para rastrear emendas destinadas ao financiamento do filme Dark Horse.
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Na declaração, dada à imprensa local, Bolsonaro questiona os fundamentos para a operação e alega que a motivação seria ele ter ultrapassado o atual presidente Lula (PT) nas pesquisas. "É uma interferência política mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino sobre as eleições."

O presidenciável declarou ainda que está tranquilo quanto a situação e que a produção do filme não envolveu dinheiro público "Não há absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público. Podem revirar do avesso de cima para baixo, trás para frente, um lado pro outro, de ponta cabeça, que não vai ter nada", afirmou.

Bolsonaro aproveitou para acenar para os eleitores de Roraima. Afirmou que indicará, caso eleito, ao Supremo Tribunal Federal, um ministro que entenda as demandas do Estado de Roraima. Segundo ele, "burocracias e perseguições ideológicas" na área ambiental impedem o trabalho e o desenvolvimento do local.

A parte final de sua manifestação faz referência ao fato de que o próximo presidente eleito terá o poder de indicar ao STF ao menos quatro novos nomes ao longo da gestão.

A declaração de Flávio Bolsonaro foi dada após a realização da Operação Make Up pela Polícia Federal para investigar supostos desvios de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse.

A operação, autorizada por Flávio Dino, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em três estados e no Distrito Federal. Os principais alvos são o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment Ltda, produtora do longa.

Desvios de emenda

A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil provenientes de recursos públicos foram desviados para abastecer a produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações foram apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino para fundamentar a operação deflagrada nesta quinta-feira, 10, contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros alvos suspeitos de envolvimento nos desvios.

Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou publicamente que todos os recursos para o filme foram privados, na mesma época em que admitiu ter pedido dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro com o objetivo de bancar o projeto. As suspeitas da PF, porém, indicam que o filme pode também ter se beneficiado de desvios de recursos públicos.

A defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment Ltda., produtora do filme, foi procurada, mas não respondeu. O espaço está aberto.

Essa operação teve como foco os repasses de emendas e recursos públicos a empresas ligadas à produtora do filme. Flávio Bolsonaro e seu pedido a Vorcaro estão sob investigação em um outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça no caso Master.

A PF diz que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) é a principal entidade captadora de recursos da rede investigada, porque firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo e recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mario Frias. O instituto pertence a Karina Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme sobre Bolsonaro.

De acordo com as investigações, o ICB movimentou R$ 83 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Parte desses recursos foram repassados para pessoas ligadas ao próprio Mario Frias, em um processo que a PF vê como uma devolução de recursos públicos investigados.

A investigação analisou parte do caminho do dinheiro até o "Dark Horse" ao detectar que o ICB fez pagamentos a duas editoras ligadas a uma terceira empresa que repassou valores à produtora Go Up.

"Tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente veio a ter tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado", diz a PF.

A polícia afirma que os elementos apurados ainda não comprovam a origem direta entre os recursos públicos recebidos pelo ICB e os repasses indiretos à produtora, mas diz que a proximidade temporal mostra relevância nas operações financeiras. Também aponta suspeitas em pagamentos de Mario Frias à produtora, por serem de valor elevado. A PF diz que ele não tinha lastro para realizar esses repasses.

"A Go Up Entertainment, por sua vez, movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que recebeu recursos de diversos remetentes, dentre eles a NTT Brasil (R$ 750 mil) e o próprio Deputado Federal Mário Frias (R$ 645,4 mil), sendo que as filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, coincidindo temporalmente com as movimentações financeiras analisadas", afirma a PF.