Karina Ferreira da Gama e Mario Frias estão entre os alvos da ação da PFReprodução / Redes Sociais

Um dos alvos da operação que investiga um suposto uso irregular de emendas parlamentares e recursos públicos no filme “Dark Horse”, deflagrada nesta quinta-feira (10), a empresária Karina Ferreira da Gama é dona da produtora Go Up, responsável pelo longa que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De Brasilândia, periferia da Zona Norte de São Paulo, a empresária começou a carreira prestando pequenos serviços de audiovisual e promoção de eventos para igrejas evangélicas da região.
Karina também é dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), criado em 1990, mas que começou a assinar contratos maiores em 2018, quando organizava eventos de literatura cristã para a prefeitura de São Paulo. O "Encontro Literário IDE", de escritores gospel, foi um dos primeiros. Na época, a ONG contava com a ajuda de emendas de vereadores evangélicos da capital paulista.
Em 2024, porém, o instituto foi o único a atender o chamamento público da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para a instalação de cinco mil pontos de wi-fi nas periferias de São Paulo. Na ocasião, a empresa fechou um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura.
A empresa de Karina passou a terceirizar o serviço e, após não cumprir a meta inicial, de cinco mil pontos em um ano, o contrato passou por três aditivos e têm prazo até 2029. Até o momento, apenas 3.200 pontos foram instalados.
Além da produtora e do instituto, Karina também é dona da empresa GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda, e presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC). Todos os empreendimentos funcionam no mesmo endereço na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo.
Em 2022, a empresa de assessoria e marketing participou da campanha de Mario Frias para deputado federal por São Paulo. O parlamentar, que é o roteirista e produtor-executivo do filme sobre Bolsonaro, também é alvo da ação da PF.
Quando Frias assumiu o mandato, em 2023, destinou R$ 2,5 milhões em emendas parlamentares para que a ONG de Karina desse segmento a projetos sociais no interior de SP.
Para a Polícia Federal, pelo menos R$ 750 mil provenientes de recursos públicos foram desviados para abastecer a produtora responsável pelo filme "Dark Horse". As informações foram apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino para fundamentar a operação deflagrada nesta quinta-feira.
O Dia não localizou a defesa de Karina Gama. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.