Caso proibição não seja revogada, defesa pede autorização para uma única visita a Bolsonaro antes de domingoFabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para receber vistas de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A petição foi protocolada nesta segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno das eleições. Neste domingo, Flávio saiu à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da disputa presidencial.

Em 13 de julho, Moraes proibiu Bolsonaro de receber visitas do filho por 90 dias. A decisão foi tomada após Flávio divulgar uma carta escrita pelo pai. A medida foi vista por Moraes como uma forma de burlar a proibição do ex-presidente de fazer manifestações político-eleitorais. Bolsonaro está em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.

A proibição de 90 dias chega ao fim no próximo domingo (11). A defesa pede que o prazo seja antecipado porque "não se mostra mais necessária" a manutenção do regime restrito de visitas.

"Consideradas as circunstâncias atuais e o lapso temporal já transcorrido, entende-se que não mais se mostra necessária a manutenção de regime excepcionalmente restritivo de visitas", diz a petição.

Caso esse pleito não seja atendido, os advogados pedem que Moraes autorize uma única visita de Flávio antes de 11 de outubro, "de natureza exclusivamente familiar".

Revisão da condenação

Em setembro, a defesa de Bolsonaro entrou com uma nova revisão criminal no STF para pedir a anulação da condenação dele por tentativa de golpe de Estado. Os advogados sustentam que não tiveram acesso à íntegra das provas desde o início e citaram diferenças no tratamento dos dados em relação ao que ocorreu com o celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pedido foi distribuído, no dia 30, ao ministro Kassio Nunes Marques, que já relata outra revisão criminal movida por Bolsonaro.

Os advogados argumentam que a nova revisão se justifica porque há "fatos novos, prova nova e a demonstração cabal de que a manutenção da condenação de Jair Bolsonaro representa grave injustiça".

Na petição, a defesa apresentou um parecer técnico que analisou cerca de 2 terabytes (de cerca de 70 terabytes ao todo) em provas reunidas no processo sobre a tentativa de golpe de Estado Segundo o parecer, há falhas estruturais e possíveis quebras na cadeia de custódia dos dispositivos eletrônicos apreendidos.

Além disso, os advogados alegam violação ao cerceamento de defesa e sustentam que a instrução processual ocorreu sem tempo adequado para examinar todas as provas.