Daniel Vorcaro Banco Master / Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro teria oferecido R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para adiar ou impedir a publicação de uma reportagem sobre o Banco Master na Folha de S.Paulo, além de amenizar o conteúdo do texto. A denúncia foi publicada pelo portal Metrópoles nesta sexta-feira (16), com base em mensagens trocadas entre os dois em agosto de 2024.
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Segundo o Metrópoles, as conversas mostram que Vorcaro prometeu uma recompensa caso Barros conseguisse evitar a publicação da reportagem, que abordava a expansão dos negócios do banqueiro e questionamentos sobre a situação financeira da instituição.

Em uma das mensagens reproduzidas pelo portal, enviada em 7 de agosto de 2024, Vorcaro teria escrito: “Se você conseguir segurar e não sair nada, você tem um prêmio de R$ 1 milhão”. No dia seguinte, Barros informou ao banqueiro que a publicação seria adiada. “A Folha vai segurar a matéria. O Sérgio me respondeu agora”, escreveu, em referência a Sérgio Dávila, diretor de redação do jornal.

A reportagem foi publicada em 30 de agosto daquele ano, com o título “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção por aquisições em série e festa com Alok”. O Metrópoles afirma que, após um encontro entre Vorcaro e representantes da Folha, o conteúdo publicado teria atendido a interesses do banqueiro, com a inclusão de informações positivas sobre o Master e a ausência de questionamentos sobre pontos considerados sensíveis.

Ainda de acordo com o portal, Barros cobrou posteriormente a recompensa prometida. Vorcaro teria respondido que o gestor “merecia muito” e que os dois ajustariam o pagamento. O Metrópoles afirma que o dinheiro foi transferido.

Folha nega interferência e contesta denúncia


Em resposta às perguntas do Metrópoles, a Folha negou que a reportagem tenha sido segurada ou amenizada por solicitação de Vorcaro. O jornal afirmou que o texto ainda não estava pronto quando o banqueiro pediu mais prazo para apresentar sua versão dos fatos, solicitação que foi atendida.

A publicação também confirmou que recebeu Vorcaro em sua sede, em uma reunião articulada por Guilherme Barros. Segundo a Folha, o encontro teve como objetivo registrar a posição do então banqueiro para a reportagem. O jornal afirmou que o pedido para não divulgar a visita na coluna Painel partiu de Barros e foi aceito.

A Folha declarou ainda que Sérgio Dávila só tomou conhecimento dos pagamentos mencionados nas mensagens depois de ler os diálogos divulgados nos últimos dias. O jornal também informou que recebeu R$ 516.441,60 em anúncios relacionados a Vorcaro ao longo de cinco anos, entre 2021 e 2025.

Sobre as alterações feitas posteriormente na reportagem, a publicação afirmou que elas ocorreram para incluir informações sobre a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. O jornal negou ter retirado trechos para atender aos interesses do ex-banqueiro e disse que informa os leitores sobre atualizações realizadas nos textos.

Gestor de crise diz ter atuado de forma transparente



Guilherme Barros afirmou, em nota, que prestou serviços de assessoria de imprensa ao Banco Master até 2025. Segundo ele, suas atividades incluíam organizar entrevistas e reuniões com veículos de comunicação e apresentar os argumentos de seus clientes durante a apuração jornalística.

Barros declarou que sempre atuou com transparência, correção e respeito à atividade jornalística. Também afirmou que a conversa com a Folha ocorreu para prestar esclarecimentos e que a reportagem foi publicada com independência editorial.

Denúncia sobre o Metrópoles deu início ao embate


A publicação da denúncia contra a Folha ocorreu um dia depois de o UOL divulgar uma reportagem segundo a qual Vorcaro recebia textos do Metrópoles antes da publicação e solicitava alterações no conteúdo. A Folha reproduziu a investigação e, nesta sexta-feira, publicou uma resposta direta à nova reportagem do portal.

Segundo o levantamento do UOL, mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal indicariam que pelo menos 14 textos foram enviados previamente ao ex-banqueiro, dos quais 11 teriam sido alterados após pedidos dele. As conversas também apontariam sugestões de pautas favoráveis aos negócios do Master.

A relação entre Vorcaro e a direção do Metrópoles teria se intensificado em 2024, ano em que o Banco Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal.

A CEO do grupo, Lilian Tahan, afirmou que consultar fontes sobre o contexto de reportagens é uma prática que adota com representantes dos setores empresarial, político e jurídico. Ela negou que o contrato publicitário tenha relação com a cobertura editorial e citou reportagens críticas publicadas pelo veículo sobre empresas ligadas a Vorcaro.