Filme 'Dark Horse' conta a história do ex-presidente Jair BolsonaroInstagram/ Reprodução

A Polícia Federal (PF) pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação, por 90 dias, do inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o delegado responsável pela apuração, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a prorrogação é necessária para conclusão de perícias contábeis e para aguardar a tramitação do pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses.

Os investigadores da PF também avaliam documentos repassados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master.

Os documentos comprovariam repasses para o fundo de investimentos Havengate Development, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos para o filme.

O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a investigação sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a Vorcaro para o custeio das gravações.

O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.

Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.

Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.

Interferência em reportagem da Folha

O banqueiro Daniel Vorcaro teria oferecido R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para adiar ou impedir a publicação de uma reportagem sobre o Banco Master na Folha de S.Paulo, além de amenizar o conteúdo do texto. A denúncia foi publicada pelo portal Metrópoles nesta sexta-feira (16), com base em mensagens trocadas entre os dois em agosto de 2024.
Segundo o Metrópoles, as conversas mostram que Vorcaro prometeu uma recompensa caso Barros conseguisse evitar a publicação da reportagem, que abordava a expansão dos negócios do banqueiro e questionamentos sobre a situação financeira da instituição.

Em uma das mensagens reproduzidas pelo portal, enviada em 7 de agosto de 2024, Vorcaro teria escrito: “Se você conseguir segurar e não sair nada, você tem um prêmio de R$ 1 milhão”. No dia seguinte, Barros informou ao banqueiro que a publicação seria adiada. “A Folha vai segurar a matéria. O Sérgio me respondeu agora”, escreveu, em referência a Sérgio Dávila, diretor de redação do jornal.

A reportagem foi publicada em 30 de agosto daquele ano, com o título “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção por aquisições em série e festa com Alok”. O Metrópoles afirma que, após um encontro entre Vorcaro e representantes da Folha, o conteúdo publicado teria atendido a interesses do banqueiro, com a inclusão de informações positivas sobre o Master e a ausência de questionamentos sobre pontos considerados sensíveis.

Ainda de acordo com o portal, Barros cobrou posteriormente a recompensa prometida. Vorcaro teria respondido que o gestor “merecia muito” e que os dois ajustariam o pagamento. O Metrópoles afirma que o dinheiro foi transferido.

Folha nega interferência e contesta denúncia

Em resposta às perguntas do Metrópoles, a Folha negou que a reportagem tenha sido segurada ou amenizada por solicitação de Vorcaro. O jornal afirmou que o texto ainda não estava pronto quando o banqueiro pediu mais prazo para apresentar sua versão dos fatos, solicitação que foi atendida.

A publicação também confirmou que recebeu Vorcaro em sua sede, em uma reunião articulada por Guilherme Barros. Segundo a Folha, o encontro teve como objetivo registrar a posição do então banqueiro para a reportagem. O jornal afirmou que o pedido para não divulgar a visita na coluna Painel partiu de Barros e foi aceito.

A Folha declarou ainda que Sérgio Dávila só tomou conhecimento dos pagamentos mencionados nas mensagens depois de ler os diálogos divulgados nos últimos dias. O jornal também informou que recebeu R$ 516.441,60 em anúncios relacionados a Vorcaro ao longo de cinco anos, entre 2021 e 2025.

Sobre as alterações feitas posteriormente na reportagem, a publicação afirmou que elas ocorreram para incluir informações sobre a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. O jornal negou ter retirado trechos para atender aos interesses do ex-banqueiro e disse que informa os leitores sobre atualizações realizadas nos textos.