Filme 'Dark Horse' conta a história do ex-presidente Jair BolsonaroInstagram/ Reprodução
Os investigadores da PF também avaliam documentos repassados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master.
Os documentos comprovariam repasses para o fundo de investimentos Havengate Development, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos para o filme.
O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a investigação sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a Vorcaro para o custeio das gravações.
O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.
Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.
Interferência em reportagem da Folha
Em uma das mensagens reproduzidas pelo portal, enviada em 7 de agosto de 2024, Vorcaro teria escrito: “Se você conseguir segurar e não sair nada, você tem um prêmio de R$ 1 milhão”. No dia seguinte, Barros informou ao banqueiro que a publicação seria adiada. “A Folha vai segurar a matéria. O Sérgio me respondeu agora”, escreveu, em referência a Sérgio Dávila, diretor de redação do jornal.
A reportagem foi publicada em 30 de agosto daquele ano, com o título “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção por aquisições em série e festa com Alok”. O Metrópoles afirma que, após um encontro entre Vorcaro e representantes da Folha, o conteúdo publicado teria atendido a interesses do banqueiro, com a inclusão de informações positivas sobre o Master e a ausência de questionamentos sobre pontos considerados sensíveis.
Ainda de acordo com o portal, Barros cobrou posteriormente a recompensa prometida. Vorcaro teria respondido que o gestor “merecia muito” e que os dois ajustariam o pagamento. O Metrópoles afirma que o dinheiro foi transferido.
Folha nega interferência e contesta denúncia
A publicação também confirmou que recebeu Vorcaro em sua sede, em uma reunião articulada por Guilherme Barros. Segundo a Folha, o encontro teve como objetivo registrar a posição do então banqueiro para a reportagem. O jornal afirmou que o pedido para não divulgar a visita na coluna Painel partiu de Barros e foi aceito.
A Folha declarou ainda que Sérgio Dávila só tomou conhecimento dos pagamentos mencionados nas mensagens depois de ler os diálogos divulgados nos últimos dias. O jornal também informou que recebeu R$ 516.441,60 em anúncios relacionados a Vorcaro ao longo de cinco anos, entre 2021 e 2025.
Sobre as alterações feitas posteriormente na reportagem, a publicação afirmou que elas ocorreram para incluir informações sobre a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. O jornal negou ter retirado trechos para atender aos interesses do ex-banqueiro e disse que informa os leitores sobre atualizações realizadas nos textos.
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