Por marta.valim

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve seguir no posto até o final do mandato da presidenta Dilma Rousseff. De acordo com interlocutores próximos da presidenta, Dilma considera Mantega um auxiliar disciplinado, dedicado, fiel e que suporta situações de forte pressão, até maiores que as enfrentadas no momento pelo ministro, com a piora das expectativas do mercado financeiro sobre o desempenho futuro da economia. Mas,entre os auxiliares mais próximos da presidenta, uma lista “especulativa” de possíveis substitutos do ministro vem sendo gestada para um eventual segundo mandato. A tendência é buscar um nome que seja bem recebido pelo mercado.

O nome que assumirá a Fazenda ainda não foi cravado, mas o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, é um dos citados. Na avaliação de uma fonte ligada à presidenta, além de ser bem recebido pelos agentes econômicos, Tombini tem a confiança de Dilma, que ele amealhou quando, ainda durante a gestão do ex-presidente Lula, ocupava a diretoria de Normas do BC e era chamado ao Palácio para discutir questões técnicas de política monetária em reuniões com a participação da presidenta, que então chefiava a Casa Civil da Presidência.

Durante sua gestão no governo Dilma, Guido Mantega já superou vários maus momentos. No fim de 2012, a influente revista britânica “The Economist” sugeriu sua saída do MInistério e defendeu uma mudança de rumo na economia. Dilma defendeu seu ministro. Agora, além dos adversários de campanha da presidenta, que elegeram o desempenho econômico como um de seus alvos, Mantega enfrenta também a resistência de dirigentes de partidos aliados, defensores de uma mudança na economia como forma de realavancar a popularidade da presidenta.

Embora o núcleo petista envolvido na campanha de Dilma defenda que a substituição só ocorra em um eventual segundo mandato, integrantes da cúpula do PMDB, principal partido da base do governo, defendem que a presidenta opere algum tipo de mudança importante na política econômica o mais rapidamente possível para estancar seu recuo nas pesquisas de opinião. Avalia-se que a queda recente de Dilma nas pesquisas não tem relação com questões como as denúncias envolvendo a Petrobras, mas sim com a mudança das expectativas dos eleitores em relação ao próprio futuro. “Os eleitores começam a temer que suas vidas não sigam tão boas quanto hoje. Trata-se de um eleitor fiel, porque embora tenha se afastado de Dilma, não assumiu preferência por outro candidato. É uma questão de reaproximá-lo”, diz um peemedebista.


De acordo com essa mesma fonte, a mudança poderia ser no discurso ou na equipe. O importante é que ela fosse capaz de recuperar a confiança dos eleitores desgarrados, cujo ânimo foi influenciado pela piora de indicadores importantes como a inflação — que, ao subir, atinge em cheio o poder de compra das famílias. Parte da cúpula do partido avalia, ainda, que Dilma precisa de ferramentas para combater o discurso pessimista da oposição sobre o futuro da economia em seu próximo mandato.

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