A venda de carros no Brasil será pior do que a associação do setor projetou anteriormente. Os motivos são o fim dos incentivos, a economia cambaleante e o fato de que o maior parceiro comercial do país está deixando de comprar.
A venda de automóveis na maior economia da América Latina cairá até 5% neste ano, projeção que vai além do pior cenário delineado em janeiro, de um declínio de 3,5%, disse Flavio Meneghetti, presidente da associação brasileira de concessionárias, a Fenabrave. O cenário mais otimista previa crescimento zero, igual ao do ano passado.
“Eu não vejo nenhuma possibilidade de o governo ter, neste momento, qualquer instrumento que possa usar para dar um choque positivo no mercado”, disse Meneghetti. “Teremos um ano difícil”.
O Brasil tem enfrentado dificuldades para sustentar a atividade econômica em um momento de inflação alta. A economia deverá crescer 1,8% neste ano após avançar 2,3% no ano passado, segundo uma pesquisa da Bloomberg com 40 economistas.
Um incentivo tributário pensado para estimular os brasileiros a comprarem novos carros irá expirar em julho, mais de dois anos depois que ele foi introduzido para impulsionar a economia. A venda de carros para a Argentina, que absorve cerca de 80% do total das exportações brasileiras de carros, caiu 46% em março em relação ao ano anterior.
É improvável que a eleição presidencial, em outubro, traga novos incentivos, e enquanto isso os estoques de carros estão em seu nível mais alto desde maio de 2012, quando os incentivos tributários foram implementados, disse Meneghetti
A inflação, o custo mais alto do dinheiro e o aperto do crédito pelos bancos, após verem níveis recordes de moratórias, estão provocando o aperto, disse Meneghetti. O financiamento de carros caiu até 50% desde o pico de 2010, disse ele.
Em abril, as vendas de carros e veículos comerciais leves caíram 12% em relação a março e 37% em comparação com o ano anterior, segundo dados da Fenabrave.