Rio - Com cerca de R$ 12 bilhões já investidos desde 2007, oito municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí) beneficiados pela construção do Arco Metropolitano — autoestrada de 145 km que ligará os municípios de Itaboraí e Itaguaí — deverão se tornar referência para o setor industrial fluminense até 2020. A expectativa é da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) que apontou, em estudo, que o primeiro trecho da rodovia, que ligará o Porto de Itaguaí a Duque de Caxias, deverá elevar o Produto Interno Bruto (PIB) fluminense em R$ 1,8 bilhão, apenas considerando o ganho de produtividade em transporte.
“A região tem potencial para se tornar a maior referência da indústria fluminense em um curto espaço de tempo. Ao término das obras e das instalações, esses municípios terão capacidade de atrair mais investimentos, o que irá gerar grande impacto com criação de postos de trabalho e maior arrecadação para o Estado e os municípios”, afirma o especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan, Riley Rodrigues.
Apesar do otimismo e das expectativas de grandes investimentos para a região nos próximos anos, Rodrigues alerta para a necessidade dos municípios trabalharem na redução da burocracia e, especialmente, na aprovação dos Planos Diretores, essenciais para o planejamento de cidades em expansão. “É muito importante que essas prefeituras atualizem os Planos Diretores, mesmo porque essas áreas não são previstas para ocupação industrial. Depois, é preciso pensar em benefícios fiscais para novas indústrias e, por fim, evitar ocupação irregular que leva cidades em expansão econômica a crescerem de forma desordenada”, alertou.
Na última terça-feira, o Arco teve 95% do trecho inaugurado. Projetado inicialmente em 1968 a obra vem atraindo novos investimentos. De acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Desenvolvimento (Sedeis), somente nas cidades cortadas pela primeira fase da obra — Duque de Caxias, Itaguaí, Japeri, Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica — foram identificados, desde 2007, a geração de 18 mil empregos em logística, metalurgia, siderurgia, petróleo e gás. Os municípios que já começaram a contratar, como Itaboraí, Itaguaí, Queimados e Duque de Caxias, têm ainda a expectativa de mais 10 mil postos, até 2020,nos setores de cosmético, alimentício, construção civil, têxtil e naval.
“O Arco Metropolitano já mudou o perfil empreendedor dessas cidades e deverá transformar a região na nova fronteira para os investidores que precisam de solução logística inteligente e integrada. A rodovia é moderna e liga portos com disponibilidade, ferrovias e, portanto, é absolutamente importante para o Rio e para o Brasil”, analisou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno.
Com recursos iniciais de R$ 100 milhões, que deverão chegar a R$ 400 milhões, a empresa de alimentos e agronegócios Bunge do Brasil vai construir em Duque de Caxias seu novo moinho, que receberá o trabalho hoje concentrado na Região Portuária do Rio e ainda uma expansão das atividades que o tornarão o mais avançado sistema de moinhos da América Latina, segundo informações da Bunge do Brasil. A expectativa é de que sejam gerados 1,6 mil empregos.
O novo empreendimento integrará o atual Moinho Fluminense, localizado na capital carioca, e o Centro de Distribuição Rio. Ambos serão transferidos para um único local, o que facilitará a logística e o escoamento de produtos.
“A construção do novo moinho é estratégica. Os estados de Minas, Rio e Espírito Santo, atendidos pelo moinho, formam uma das regiões onde a empresa está focando seus investimentos para modernizar suas operações, ampliar sua capacidade produtiva e atender as necessidades do mercado em crescimento”, destacou o diretor da Bunge Brasil Francisco Ganzer.
Ainda em Caxias será instalada uma fábrica de propulsores e equipamentos navais da Rolls Royce. A nova unidade receberá R$ 80 milhões de investimentos e se soma ao empreendimento de R$ 200 milhões que a empresa está erguendo em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. A companhia já inaugurou em Niterói um moderno Centro de Treinamento Marítimo, onde foram investidos R$ 8,4 milhões. É o primeiro centro do tipo na América do Sul e o quarto do grupo no mundo.
Itaguaí
Itaguaí é considerado pelo governo estadual o principal foco dos grandes investimentos devido aos portos instalados no município e os negócios serão impulsionados pelo Arco Metropolitano. Entre os projetos já anunciados para a cidade, destaca-se a construção do estaleiro da Marinha, com aporte financeiro de R$ 5 bilhões. De acordo com estudo da Firjan, o início das operações do Arco metrpolitano poderá reduzir em até 20% os custos logísticos das indústrias instaladas na região, o que tem causado maior interesse das companhias em se instalar na região.
“Custos com transporte são os que mais impactam no preço final do produto. Com a redução deste valor a indústria ganha em competitividade”, explica o especialista da Firjan, Riley Rodrigues.
Para completar todo o Arco Metropolitano até Itaboraí, onde está em construção o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), é preciso ainda a construção de 25,5 quilômetros de rodovia, com conclusão prevista para 2016. Esse é o principal investimento do município que tem atraído pequenas e grandes empresas, que visam a entrada de novos recursos da Petrobras e da Marinha.
Queimados
O novo distrito industrial ligado pelo Arco irá agregar indústrias de diferentes setores, que vão desde alimentos e bebidas, cosméticos, equipamentos navais, plásticos, têxteis e forjarias. Empresas como Coca-Cola, P&G, MRS, Ajebras e Petrobras investem na região e podem criar ainda mais negócios no futuro, como acredita o prefeito de Queimados, Max Lemos.
“Nossa cidade já recebeu cerca de R$ 1 bilhão em investimento e deverá atrair mais R$ 500 milhões com a conclusão das obras em 2016”, disse Lemos.
O munícipio da Baixada Fluminense, que tem 138 mil habitantes, experimenta grande crescimento econômico desde 2007. Atualmente a cidade tem mais de 500 mil metros quadrados de áreas disponíveis para plantas logísticas, devido à localização do complexo, que fica às margens da Rodovia Presidente Dutra e a seis quilômetros do traçado do Arco, que ligará o Porto de Itaguaí ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí.
Queimados irá receber ainda o Complexo Logístico da MRS, que escolheu o município pela proximidade com o Arco Metropolitano. A instalação do terminal, que terá operações ferroviárias e rodoviárias, irá auxiliar no transporte de minério de ferro e produtos siderúrgicos, além de bauxita. De acordo com o prefeito, o crescimento da cidade só foi possível devido à descentralização do crescimento que aconteceu no estado.
“A redução do Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de 19% para 2%, foi fundamental para o aumento da nossa competitividade. Até 2016 queremos crescer na casa dos 40% e atrair ainda mais investimentos para o município”, disse Lemos.