México deve passar Brasil como maior produtor de carros da América Latina

Após ficar pouco à frente do Brasil nos cinco primeiros meses do ano, o México deverá manter sua vantagem ao longo de 2014 e conseguir a liderança em um ano completo pela primeira vez desde 2002

Por marta.valim

O México está a caminho de superar o Brasil como maior produtor de automóveis da América Latina pela primeira vez em mais de uma década, pois as crescentes exportações para os EUA incentivam a abertura de fábricas e uma produção recorde.

Após ficar pouco à frente do Brasil nos cinco primeiros meses do ano, o México deverá manter sua vantagem ao longo de 2014 e conseguir a liderança por um ano-cheio pela primeira vez desde 2002, segundo a consultoria IHS Automotive.

A ascensão do México está sendo impulsionada em parte porque as vendas de automóveis estão ocorrendo no ritmo mais rápido em quase oito anos nos EUA, o maior mercado do país. A explosão coincide com uma queda na produção brasileira até maio após a demanda doméstica esfriar, estabelecendo uma troca na liderança no setor latino-americano mais rápida do que os analistas previram.

“O vento está em nossas velas” no México, disse Luis Lozano, sócio principal para o setor automotivo da PricewaterhouseCoopers LLP, em entrevista por telefone, da Cidade do México. “As pessoas falam sobre os setores de energia e telecomunicações do México, mas a indústria automotiva continuará sendo o ícone deste país”.

Eclipsar o Brasil, onde a produção caiu 14% neste ano, faria com que o México saltasse para o sétimo lugar entre os maiores produtores de automóveis do mundo. China e EUA lideram o mercado mundial.

A sorte diferente nas produções automotivas mexicana e brasileira neste ano reflete a situação de seus grandes mercados. Devido aos altos encargos trabalhistas e impostos, os carros e caminhões fabricados no Brasil são muito caros para enviar ao exterior e são destinados em sua maioria aos compradores locais. As fábricas mexicanas exportam oito em cada 10 carros que produzem, com mais da metade indo para os EUA.

Discrepância econômica

O setor automotivo resume os dados econômicos subjacentes dos dois países. O México está começando a ver sinais de recuperação depois de o crescimento não ter cumprido as expectativas em sete dos últimos oito trimestres, enquanto o Brasil reduziu suas estimativas para o produto interno bruto para este ano e o próximo e aumentou as projeções de inflação. Os economistas preveem que a economia mexicana crescerá 2,8% neste ano, contra 1,3% no Brasil.

A produção automotiva do México cresceu 7,2% até maio, para 1,31 milhão de veículos, reforçada por novas fábricas da Nissan Motor Co., da Honda Motor Co. e da Mazda Motor Corp., segundo a Associação Mexicana da Indústria Automotiva, conhecida como Amia. O total do Brasil foi de 1,27 milhão, segundo a Anfavea, a associação das fabricantes de carros do Brasil.

Enquanto as exportações do México para os EUA subiram 19% até maio, os embarques do Brasil para o seu principal parceiro comercial, a Argentina, caíram 28%, segundo a Anfavea. No Brasil, os consumidores têm reduzido as compras por causa de um crédito mais apertado e uma economia mais fraca.

O México deverá produzir 3,1 milhões de automóveis neste ano, segundo o presidente da Amia, Eduardo Solís, que disse que não tinha certeza se o país construiria mais do que o Brasil. A IHS está prevendo uma produção mexicana de quase 3,2 milhões de unidades, à frente das 3,17 milhões do Brasil.

Os investimentos das empresas automotivas mostram a importância de ambos os países na cadeia global de produção.

Novas fábricas estão sendo avaliadas para ambos os países nos próximos anos, o que pode significar uma disputa ombro a ombro pela liderança na produção latino-americana, segundo a IHS Automotive e a LMC Automotive.

Bill Rinna, gerente sênior de projeções norte-americanas da LMC Automotive, prevê que o México manterá o topo de 2016 a 2021, quando o Brasil retomará a posição. Até lá, a produção automotiva combinada dos dois países seria de 8,83 milhões de veículos, 38% mais alta do que em 2013.

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