Emprego na indústria recua em maio e cenário lembra crise de 2009

Número de pessoal ocupado teve queda de 0,7% no mês. Resultado foi reflexo da desaceleração da produção no setor

Por bruno.dutra

Rio - O baixo dinamismo da produção industrial, que nos cinco primeiros meses do ano acumula perda de 1,6% no ritmo de produção, recria no mercado de trabalho um cenário similar ao de 2009, quando a economia brasileira começou a sentir os impactos da crise norte-americana. Dados de maio da Pesquisa Mensal de Emprego e Salário Industrial (Pimes) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o emprego na indústria registrou, no mês, queda de 0,7% - o pior resultado desde março de 2009, quando tinha recuado 0,8%.

O ambiente pouco favorável no mercado de trabalho aparece em 13 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE. "Estamos chegando a um cenário do emprego que remonta a época da crise, que, no Brasil, se intensificou ao longo de 2009", destaca Rodrigo Lobo, pesquisador da Coordenação de Indústria do IBGE.

"Quando olhamos a média móvel trimestral, que indica recuo de 0,3%, fica claro que o emprego está numa trajetória descendente desde abril de 2013, com perda acumulada de 2,4% no período. Da mesma forma, as horas pagas, que tem queda de 0,4%. Elas continuam em ritmo descendente desde maio de 2013, com perda acumulada de 3,1% no período", completa Lobo.

Na comparação maio de 2014 com maio de 2013, o emprego registra queda de 2,6%, a 32º taxa negativa consecutiva. " É o resultado de queda mais intenso desde novembro de 2009, quando tinha atingido recou de 3,7%", observa Lobo.

Considerada uma variável antecessora, em que se consegue identificar o comportamento futuro da indústria, o número de horas pagas, no mês, registrou queda de 0,8%, frente a abril. Já na comparação com maio de 2013, o recuo no número de horas pagas chega a 3,3%.

"Quando a indústria produz menos, ela tenta minimizar seus custos. Assim, é comum se reduzir as horas pagas, por meio de férias coletivas, por exemplo, para não demitir pessoal", avalia o economista da RC Consultores, Thiago Custódio Biscuola. "O baixo incentivo de produção vem fazendo com que o setor têxtil e de confecção, segmento de mão de obra intensiva, registre queda no nível de pessoal ocupado. A folha de pagamento que crescia a 5,4% no começo de 2013, no acumulado dos 12 meses, hoje está em 2,6%. E a tendência é de uma queda ainda maior".

Na contramão dos resultados negativos, a folha de pagamento real dos trabalhadores assalariados na indústria registrou expansão de 1,9% no mês, influenciado, segundo o IBGE, pelo pagamento de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) ao pessoal da indústria extrativa.

" A atividade produtiva do setor extrativo cresceu 34,3% na passagem de abril para maio. Mesmo tendo um peso menor, a indústria extrativa vem registrando uma margem de crescimento maior, frente à indústria de transformação, que cresceu apenas 0,6%, no mesmo período", destaca Rodrigo Lobo, do IBGE. A indústria de transformação é responsável por 97% das contratações e a extrativa pelos demais 3%.

Dos 18 ramos pesquisados pelo IBGE, 15 apresentaram recuou no total de pessoal ocupado, na comparação com maio de 2013. No cenário negativo, destaca-se a indústria de meios de transporte, abalada, principalmente, pelo recuo da produção de automóveis. O segmento registrou, em maio, desaceleração de 20,1% na atividade produtiva, na comparação com abril. No emprego, a indústria de meios de transporte registrou queda de 4,3% em maio, na comparação com maio de 2013.

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