São Paulo - Estoque excessivo no comércio, queda da confiança do empresário da indústria e indefinição sobre os rumos da economia apontam para um Natal mais modesto neste ano. Pesquisa realizada pela consultoria Deloitte mostra que 46% dos entrevistados pretendem gastar menos do que no ano passado, e 40% disseram que gastarão o mesmo que em 2013.
Segundo Reynaldo Saad, sócio-líder da Deloitte para o Atendimento de Consumo e Varejo, os dados da pesquisa refletem a percepção da população sobre a economia no país — que, para 64% dos pesquisados, encontra-se em estagnação ou declínio. “Prevendo que o cenário deve se manter desaquecido, ou até passar por algum ajuste mais severo, os brasileiros estão mais prudentes em relação aos gastos. Essa precaução tem muito a ver com o momento que o país vive”, diz Saad.
Tanto é assim que, quando questionados sobre o destino do 13º salário, a maioria dos pesquisados apontou que pretende quitar dívidas (35%) ou poupar (31%), contra 24% que pretendem gastar com compras. Para Saad, esse resultado mostra que o brasileiro está atingindo uma maior maturidade financeira a cada ano.
Um dado inédito apontado pelo executivo é que 43% dos entrevistados pretendem antecipar as compras para novembro — o maior índice já indicado para este mês, na série de cinco anos da pesquisa. “Este novo momento de compra é um dado muito importante para que os varejistas estejam preparados para atender aos consumidores, tanto no nível de estoques quanto na qualidade da prestação dos serviços”, comenta Saad.
Entretanto, estoque foi um dos itens que derrubou a confiança do empresário do comércio para os próximos meses. Segundo o economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, os empresários avaliaram de forma negativa o nível de estoques para o fim de ano. Com isso, o nível de confiança recuou 1,6% em outubro ante setembro. O resultado, de acordo com Bentes, afasta a percepção de retomada no nível de atividade do comércio, pelo menos no curto prazo. Tanto é assim que a CNC projeta crescimento de 2,6% nas vendas de Natal, abaixo do 3% projetado anteriormente.
A menor intenção de elevar estoques afeta diretamente a indústria. Não por acaso, foi esse indicador também que, em outubro, exerceu a maior influência negativa no Índice de Confiança da Indústria da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com queda de 2,1% sobre o mês anterior, para 85,5 pontos, o indicador que mede a situação atual atingiu o menor nível desde março de 2009 (84,5). Houve aumento da proporção de empresas que se consideram com estoques excessivos, de 14,1% para 14,6%, e diminuição da parcela de empresas com estoques insuficientes, de 1,4% para 0,1%.
Apesar disso, a indústria conseguiu dar um respiro em setembro, com aumento do faturamento e das horas trabalhadas. “O final de ano tradicionalmente tem melhora de demanda e a produção aumenta para atender esse crescimento”, diz o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Para ele, a melhora está mais ligada aos fatores sazonais, justamente as festas de fim de ano, do que a uma tendência de recuperação.
Projeção é contratar 1% mais de trabalhadores temporários
Repetindo o que ocorre nesta época do ano, também em 2014 haverá contratação de temporários. A expectativa do Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindeprestem) é de um crescimento de 1% ante 2013, para 163,6 mil trabalhadores temporários, divididos entre indústria (30% do total) e comércio (70% do total).
A Ofner faz parte desse grupo.Para atender o aumento da demanhda prevista, a confeitaria paulista contratou 240 funcionários temporários distribuídos entre a fábrica em Socorro (SP) e suas 23 lojas. A rede espera superar as vendas de panetones do ano passado. Em 2013, foram fabricadas 400 toneladas do produto natalino, divididas entre as lojas da rede e terceiros. Para este ano, a Ofner se prepara para ampliar a produção total para 700 toneladas.