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Carne, feijão e arroz ameaçam a inflação neste início de 2015

Alta nos preços por atacado em dezembro pode representar aumentos ao consumidor em janeiro, dizem analistas

Por bruno.dutra

Rio - O prato preferido dos brasileiros ficará mais caro no início deste ano. Segundo análise do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), a carne bovina, o feijão e o arroz devem apontar para uma inflação ao consumidor mais alta durante o mês de janeiro, visto que em dezembro o Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou expansões significativas nesses produtos agropecuários.

Após um longo período de preços comportados, o feijão e o arroz registraram alta de 11,99% e 2,22%, respectivamente, no IPA de dezembro. Já os bovinos, mantiveram a alta — que no acumulado dos 12 meses chegou a 25% — e apontaram para um avanço de 3,59% no mês. Tais itens registraram aumentos também no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de dezembro. As carnes bovinas subiram 4,38%, o feijão 13,01% e o arroz 0,79%.

“O arroz e o feijão são a novidade do mês, pois vão aparecer como pontos de pressão da inflação ao consumidor em janeiro por questões de safra. Ainda que oportunas, não se sabe ao certo até que ponto as chuvas no sertão da Bahia podem ter começado a atrapalhar a colheita do feijão, por exemplo”, aponta André Braz, economista da FGV/Ibre.

Para o especialista, além da estiagem que reduziu pastos e afetou a produção de gado, a expansão das exportações brasileiras de carne bovina, especialmente para a Rússia, vem contribuindo para que o produto no mercado interno tenha preços mais elevados, o que deve se manter nos próximos meses. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a carne bovina nunca esteve tão valorizada no mercado brasileiro como nos últimos meses. A média mensal da carcaça casada de boi atingiu, em dezembro, o maior valor em termos reais, de R$ 9,04/kg no atacado da Grande São Paulo — a série Cepea inicia-se em 2001 para este produto.

No comparativo de dezembro de 2014 com o mesmo mês de 2013, quando a carcaça casada bovina foi cotada a R$ 7,51/kg, a valorização é de expressivos 20,4%. Em dezembro, segundo o Cepea, além da oferta ainda restrita, o movimento de alta ganhou suporte do aumento das receitas em final de ano, com o recebimento do 13º salário.

Os hortifrutigranjeiros, especialmente a batata-inglesa, também devem continuar pressionando o bolso do consumidor em janeiro. A batata-inglesa atingiu preço médio de R$ 55 a saca com 50 kg em dezembro em São Paulo, após ser cotado a R$ 46,90 em novembro e R$ 26,66 em outubro, segundo informações do mercado. Na última semana de dezembro, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal da Fundação Getúlio Vargas (IPC-S) apontou para uma variação de 19,44% do produto. Já no IPA, a alta foi de 41,43%.

A redução da área plantada (especialmente no Sul de Minas) e questões climáticas estão por trás desse efeito gritante de alta dos preços, que deve se manter nos próximos meses, segundo André Braz. Para o economista, embora assuste os consumidores, o encarecimento da batata não tem fortes impactos na composição da inflação geral. “A batata é um produto cultivado em lavouras curtas, de fácil recuperação. Logo, da mesma forma que ela sobe de preços, ela recua ”, avalia.

No Rio de Janeiro, técnicos da Ceasa (Central de Abastecimento) identificaram o forte aumento no preço da batata já no segundo dia útil do mês, assim como o tomate, que deve apontar alta nos preços por conta de chuva de granizo em algumas regiões.

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