Setor de linha branca desacelera no país

Segundo o IBGE, volume de vendas e produção recuou nos primeiros meses do ano. Mercado já estimava queda

Por monica.lima

São Paulo - Depois de experimentar um boom nas vendas entre 2009 e 2012, alavancado pela redução do IPI, os fabricantes de produtos da linha branca enfrentam um momento desafiador, marcado por queda no volume de negócios e na produção. De acordo com Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), no primeiro trimestre deste ano, o número de unidades comercializadas da linha branca no país recuou 12% em relação ao mesmo período do ano passado.

“O ritmo de vendas vem desacelerando desde 2013. Por isso, já esperávamos um resultado ruim no primeiro semestre do ano por causa do cenário macroeconômico. Atualmente, o índice de confiança do consumidor brasileiro está em baixa, pelas incertezas no mercado de trabalho, a dificuldade de acesso ao crédito e a alta dos juros”, afirma Kiçula, mencionando que o mercado espera uma recuperação a partir do segundo semestre, quando costuma cair as vendas de refrigeradores e aumentar as de máquinas de lavar.

Segundo ele, este ano o setor de linha branca espera repetir o mesmo resultado de 2014, quando foram vendidas cerca de 17,6 milhões de unidades.

“Depois do incremento nas vendas por causa do incentivo fiscal do IPI, o mercado estimava um reequilíbrio da demanda”, ressalta, dizendo que, por outro lado, o mercado de linha marrom espera um impulso nas vendas de televisões, que recuaram 40% nos primeiros três meses do ano, por causa da mudança de tecnologia introduzida pela TV digital. Dados da Eletros, apontam que em 2011 o volume de vendas da linha branca registraram alta de 7%; em 2012, cresceram 18%; Mas recuaram 4% em 2013 e 3% em 2014.

Sem citar nomes, Lourival Kiçula afirma que apenas uma empresa do setor realizou demissões, alegando ajuste de produção. E que, até agora, nenhuma companhia adotou o mecanismo de layoff ou férias coletivas. Possivelmente, Kiçula se referia à Whirlpool, detentora das marcas Brastemp e Consul no mercado brasileiro. Jeff Fetting, diretor-presidente global da companhia, anunciou a redução de 15% no seu quadro de pessoal no Brasil, em recente entrevista ao Wall Street Journal, algo em torno de três mil demissões. Vale ressaltar que o presidente da Whirlpool no Brasil, João Carlos Brega, negou que houvesse um plano de demissões em curso no país. Segundo ele, o que houve foi uma redução de vagas não preenchidas.

Em dificuldades, a Mabe Brasil anunciou que entrou com pedido de recuperação judicial no dia 3 de maio, alegando problemas de liquidez. “A intenção da empresa é reestruturar sua operação, tornar-se viável no país e cumprir seus compromissos com consumidores, fornecedores, empregados e autoridades”, afirmou a empresa em nota publicada em seu site, dizendo que as operações no Brasil continuam. Coincidência ou não, as coreanas LG e Samsung postergaram a construção de fábricas de linha branca no Brasil, que, respectivamente, seriam construídas em Limeira e Paulínia (SP).

Mas, segundo Alexis Frick, analista de pesquisa da Euromonitor Internacional, apesar do arrefecimento esperado no volume de vendas depois do incentivo fiscal do IPI, no ano passado, os produtos da linha branca movimentaram R$ 27,2 bilhões, apontando para um crescimento de receita de 7%. Mas o que vem expandindo mesmo é a venda de eletroportáteis, que aumentou 14,5%no mesmo período, com receita de R$ 14,3 bilhões. “Os produtos da linha branca têm vida útil longa. Quem trocou de geladeira, fogão e máquina de lavar roupas nos últimos anos não vai fazer novas aquisições, sobretudo em um momento econômico adverso”, diz. Na opinião do especialista, o segredo para continuar crescendo pode estar na inovação tecnológica dos produtos.

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