Avicultura e suinocultura têm alta de vendas e exportações

Segundo a ABPA, alta da carne bovina contribuiu para aumento de consumo de carne de frango e suína no país

Por monica.lima

Na contramão da crise, a avicultura e a suinocultura brasileiras celebram bons resultados de vendas internas e externas no primeiro semestre deste ano. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a exportação de carne de frango cresceu 2% e o consumo doméstico do produto registrou alta de 0,5% no período, enquanto a carne suína, cujo mercado interno remunerou melhor nos primeiros seis meses do ano, obteve alta de 2,5% no consumo doméstico e queda de 5,3% nas vendas externas.

“O aumento do preço da carne bovina, que acumula alta de 20,8%, favoreceu os nossos negócios no país. Com o bolso mais apertado, o consumidor brasileiro mudou de hábitos e passou a consumir mais carne de frango e carne suína, que são mais acessíveis, e tiveram reajustes inferiores a 5%”, afirma Francisco Turra, presidente da ABPA, mencionando que, no mercado externo, o que vem abrindo boas perspectivas para a proteína animal brasileira são os problemas sanitários enfrentados por vários países, inclusive, grandes players do mercado global.

“Atualmente há 45 países afetados pela influenza aviária, entre eles os Estados Unidos, o maior produtor mundial, que diminuiu seu volume de exportações em 8,5% até maio deste ano — um volume equivalente a 350 mil toneladas. Desta forma, o Brasil acaba se destacando como o grande repositor nessa falta de mercadoria”, explica, mencionando que na suinocultura casos de peste suína e aftosa de alguns países exportadores vêm abrindo espaço para o produto nacional, que vem se destacando pela confiabilidade.

A ABPA projeta um incremento de 3% na produção de carne de frango, que deve atingir os 13 milhões de toneladas — volume equivalente à produção da China, segundo maior produtor mundial. Também está otimista em relação às exportações, estimando um aumento de 5% nos volumes embarcados, sobretudo por causa das importações da China, que saltaram de uma média mensal de consumo de 17 mil toneladas, no primeiro semestre de 2014, para 24 mil toneladas no mesmo período deste ano. “Além disso, o Oriente Médio, principal mercado consumidor da carne de frango brasileira, registrou um aumento de 6,5% em suas compras no primeiro semestre de 2015, no comparativo com o mesmo período do ano passado, atingindo 719,5 mil toneladas”, ressalta.

“Graças à influenza viária e ao câmbio favorável, em breve o Brasil vai passar a exportar ovos para os Estados Unidos”, disse Ricardo Santin, vice-presidente de Aves da ABPA, acrescentando que os produtores brasileiros estão em fase de negociação com os americanos e que ainda não há prazos estabelecidos. Embora tímida, a exportação de ovos cresceu 41,9% no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período de 2014, somando 7 mil toneladas e uma receita de US$ 9,2 milhões, montante 29,1% superior ao do semestre do ano passado. Já a exportação de carne de peru subiu 7,8% no semestre, mas com retração de receita de 7,6%.

Apesar de ter registrado resultados negativos nas exportações no primeiro semestre, os produtores de carne suína estimam um aumento de 3% no volume de vendas externas até o final do ano. “Há uma tendência de aumento dos embarques para a Rússia, principal país consumidor da carne suína brasileira, responsável por 43% das nossas importações, só no primeiro semestre os embarques russos aumentaram 15,5% no primeiro semestre”, afirma Turra, citando que os patamares de produção da suinocultura devem se manter ligeiramente mais altos do que os registrados em 2014, superando 3,5 milhões de toneladas. Segundo o executivo, há perspectivas de abertura de mercado da Coreia do Sul para o produto brasileiro e um aumento das vendas para o Japão e a retomada de negócios com a África do Sul.

Apesar da queda das receitas das exportações em dólar no semestre, as exportações de carne de frango registraram alta de 18% em reais, totalizando R$ 10,22 bilhões. A mesma situação foi observada no faturamento das vendas externas de carne suína. As receitas em reais do segmento somaram R$ 1,6 bilhão, montante 2,5% superior ao registrado no mesmo periodo de 2014. Mas em dólar a receita recuou 21,8%.

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