Para aliado de Aécio, Marina é “messiância” e “bonapartista”

O presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, a ex-ministra não tem equipe e dependerá de “técnicos emprestados de outros partidos” caso ganhe a eleição. Apesar das dificuldades de Aécio Neves, Pestana mostra disposição para continuar o enfrentamento com Marina para chegar ao segundo turno

Por monica.lima

O deputado federal Marcus Pestana diz que Marina só passou a criticar o mensalão depois de ter saído do PTGeorge Gianni/PSDB/Divulgação

Pesidente estadual do PSDB de Minas e próximo do presidenciável Aécio Neves, o deputado federal Marcus Pestana acredita que o recuo da ex-ministra Marina Silva (PSB) em seu programa de governo será um divisor na campanha eleitoral. Logo após o anúncio das propostas, o PSB anunciou posições diferentes em relação à energia nuclear e os direitos da comunidade LGBT. “Quebra um pouco a aura dela, pois apresenta suas incoerências”, afirma. Para ele, a mudança feita depois de críticas de líderes evangélicos conservadores também explicita que “a nova política do discurso não existe na prática da candidata”. “É preciso lembrar que ela foi vereadora, senadora e ministra pelo PT e só passou a criticar o mensalão depois de ter saído do partido”, completa.

Pestana acredita que a “desconstrução” da presidenciável Marina Silva passa pela crítica à falta de uma equipe e ao estilo “messiânico” e “bonapartista” (sistema sem classe hegemônica, em que um líder habilidoso media as forças sociais). “Ela tem carisma, mas é só o perfil pessoal mesmo. Tanto que já falou que vai montar a sua equipe de governo com quadros emprestados”, diz. O tucano chega inclusive a citar o texto de Karl Marx sobre o 18 Brumário (sobre o governo de Luis Bonaparte) para embasar suas críticas. Além de apresentar algumas contestações a Marina, o tucano cita a derrocada do ex-ministro Ciro Gomes (Pros) na eleição presidencial de 2002 para manter a esperança numa reviravolta neste ano. “Historicamente, 50% dos eleitores só consolidam seu voto nos últimos 30 dias e metade deles nos 15 dias antes do dia da votação”, explica.

Líderes polarizam

A presidente Dilma e a ex-ministra Marina Silva conseguiram polarizar o debate ontem, no SBT, deixando Aécio em segundo plano. O tucano atacou supostas incoerências de Marina. Contra ela, Dilma disse ser “impossível governar com frases de efeito e propostas genéricas”.

Linha cruzada

Os presidenciáveis Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (Psol) colaram a imagem de Marina Silva (PSB) à de seus principais rivais, o PT e o PSDB. Ela cunhou o termo "três irmãos siameses" e ele os apelidou de G-3 (alusão aos países do G-7). Levy Fidelix (PRTB) se atrapalhou e os chamou de 3Gs.

Empate das TVs

Petistas e tucanos consideravam o debate de ontem fundamental. Primeiro, por ser logo após a alta de Marina nas pesquisas. E, depois, pela perspectiva de uma audiência mais popular em relação aos debates da noite. Em números, a audiência foi parecida com do debate da Band: 4,9 pontos.

Contra Skaf, Alckmin ataca Fleury

Líder com folga nas pesquisas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, resolveu partir para o ataque no horário eleitoral contra o segundo colocado, o empresário Paulo Skaf (PMDB), que tem subido nas intenções de voto. Lembrou que o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), Gilberto Kassab (PSD) e o deputado Paulo Maluf (PP) são aliados do peemedebista. Os tucanos usaram imagens e depoimentos contra Fleury para atacar Skaf.

Peemedebista usa passado para rebater tucano

Paulo Skaf não deixou por menos. Mostrou que Alckmin tentou atrair o apoio de Kassab e que Maluf faz parte da base do governo tucano, com aliados em cargos no primeiro escalão. Quanto a Fleury, destacou que Alckmin era aliado na época do ex-governador. E mais, que o senador tucano Aloysio Nunes, companheiro de chapa de Aécio Neves, foi o vice de Fleury.

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Com Leonardo Fuhrmann

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