A primeira colocação da presidenta Dilma Rousseff (PT) na eleição de ontem foi alavancada pelo crescimento da aprovação ao seu governo nos últimos três meses. Assessores das campanhas oposicionistas chegaram a mostrar preocupação com essa reação. Segundo o Datafolha, de julho pra cá, a soma das avaliações ótimo e bom subiu de 32% para 39%. No Ibope, o aumento foi ainda maior no período: de 31% para 40%. A rejeição eleitoral de Dilma também caiu no período. Os oposicionistas consideram normal que a campanha melhore a imagem de um governante em busca da manutenção no cargo, ainda mais no caso de Dilma, com um grande tempo de TV. Admitem ainda que o adversário dela terá de conseguir reduzir as taxas de aprovação para superá-la ou reverter a tendência de subida.
No lado petista, a preocupação era com o candidato a ser enfrentado no segundo turno. Para uns, seria melhor Marina, fragilizada com a queda acentuada nos últimos dias. Mas a maioria já dava como certa a disputa com Aécio Neves. O tucano era visto como um adversário melhor porque teria um “queixo de vidro” e não poderia atacar o PT pelo viés da ética. Para petistas, seria mais fácil atacá-lo também por causa da política econômica proposta por seu partido, que poderia resultar em desemprego. Outra questão apontada era que os votos de Aécio iriam facilmente para Marina, caso a ex-ministra fosse a candidata no segundo turno, enquanto os votos dela não migrariam facilmente para o tucano. O ex-presidente Lula, ao votar em São Bernardo, garantiu não ter preferência. “É como o Corinthians escolher adversário na final. Não tem como”, disse Lula.
‘Caixa de ódio’ para petistas
Eleitor declarado de Marina Silva (PSB), o cantor Arrigo Barnabé apresentou seu “Caixa de Ódio” na véspera da eleição para dois petistas de destaque. O assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia e o prefeito paulistano Fernando Haddad marcaram presença na Casa de Francisca, em São Paulo. Mas o nome do show não tem nada a ver com política, apesar do clima quente da disputa eleitoral. É uma homenagem a Lupicínio Rodrigues, cujo centenário foi comemorado no mês passado.
Garotas com algo em comum com candidata
Nos últimos dias de campanha no primeiro turno, a presidenciável Marina Silva (PSB) assistiu a um grupo de balé em Paraisópolis, segunda maior comunidade popular da capital paulista. Ficou emocionada, mas não só com apresentação: disse que finalmente estava cercada por garotas com coque nos cabelos, mesmo penteado da candidata.
‘Companheirada’
Embora Lula não revele o seu voto para deputado, um dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC disse que ele sempre vota nos candidatos apoiados pela entidade. Seriam, dessa vez, o ex-presidente do sindicato Vicentinho, candidato à reeleição na Câmara, e o diretor Barba, para estadual, ambos do PT.
Amuleto
Em café da manhã com petistas ontem, num hotel de São Paulo, a diretora do Instituto Lula e ex-deputada Clara Ant vestia uma camiseta da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989. A peça, já esgarçada, trazia uma estrela sorrindo e a frase: “Sem medo de ser feliz”.
Dobradinha
Apoiadores do candidato a governador no Rio Lindberg Farias (PT) torceram ontem pela ida de Marcelo Crivella (PRB) ao segundo turno para enfrentar Pezão (PMDB). Fora da disputa, o petista prefere apoiar Crivella. Essa decisão depende de negociação, pois a direção do PT quer apoiar Pezão.