Renan e Cunha podem ser obrigados a mudar de estratégia

O risco de isolamento é um fator que pode obrigar os presidentes do Senado e da Câmara, ambos citados nos pedidos de instauração de inquéritos da Procuradoria Geral da República, a parar de sangrar o governo. Ambos provocaram 40 dias de derrotas seguidas do governo no Legislativo

Por monica.lima

Eduardo Cunha e Renan Calheiros tiveram seus nomes incluídos na lista de suspeitos de envolvimento na corrupção investigada pela Operação Lava JatoEdilson Rodrigues/Agência Senado

Por Leonardo Fuhrmann (interino)

Os parlamentares começarão a conhecer hoje quais serão as estratégias de defesa usadas
a partir desta semana pelos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a instauração de inquéritos contra ambos por conta de suspeitas de envolvimento na corrupção investigada pela Operação Lava Jato. Além deles, outros dez senadores e 21 deputados federais em pleno mandato tiveram seus nomes incluídos na lista de Janot. Até a semana passada, Renan e Cunha usaram dos cargos à frente das casas legislativas para provocar derrotas e desgastes ao governo da presidenta Dilma. Mas já há quem aposte em uma mudança de comportamento deles.

O motivo seria o temor de ficarem isolados no Congresso quando precisam de apoio para se defender. Ninguém quer ser o porta-voz dos investigados por corrupção. Por outro lado, Cunha e Renan já apresentavam, na avaliação de colegas, disposição para, caso necessário, usar seus cargos como ferramenta de defesa. Isso desde o momento em que entraram na disputa pela presidência da Câmara e do Senado. O PP, cuja bancada é a mais implicada pela Procuradoria Geral da República, foi um apoiador importante da candidatura de Cunha na Câmara. Os dois deputados petistas citados nos pedidos de inquérito — José Mentor e Vander Loubet — também eram lembrados na lista de possíveis eleitores dele. O PT decidiu enfrentar o peemedebista, apesar de seu favoritismo e lançou o então líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Muita saúde

A decisão de Eduardo Cunha de não aceitar a instalação da CPI dos planos de saúde, apesar de parecer favorável da consultoria legislativa, causou polêmica. No ano passado, ele foi autor de uma emenda a medida provisória para tentar diminuir o impacto das multas da ANS para as empresas do setor.

O terceiro turno da presidenta

Na avaliação de aliados da presidenta Dilma, o pronunciamento que ela fez na noite de anteontem não tem força para aliviar os problemas de imagem do governo. A insistência em citar a crise externa sem admitir falhas na condução da economia é um dos principais alvos de crítica. Para um parlamentar governista, assim como a oposição, a presidenta também precisa descer do palanque e tratar dos problemas de forma clara, direta e objetiva. “A estratégia que deu certo na campanha não é a melhor forma de um governo se comunicar com a população depois de ter vencido as eleições”, comenta sobre o tom usado por Dilma em rede nacional.

O ex-marido que não poupa Marta

Se o primeiro marido da senadora Marta Suplicy (PT-SP) — o secretário municipal de Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy — tem evitado críticas a ela, o segundo não foi tão discreto. O franco-argentino Luís Favre, com quem ela foi casada entre 2003 e 2009, repercutiu nas redes sociais as declarações do presidente estadual do partido no Estado, Emídio de Souza. Para o dirigente petista, Marta ataca agora quem sempre a defendeu e afaga quem tentou destruí-la.

Petistas com saudade da “Era Favre”

A senadora está de malas prontas do PT para disputar a sucessão de Fernando Haddad e tem feito duras críticas à presidenta Dilma. Em sociedade com o secretário de Comunicação da gestão da ex-prefeita, Valdemir Garreta, Favre se dedica a campanhas na América Latina. E os petistas que antes criticavam a influência dele sobre Marta, sentem saudade quando veem os movimentos dela após o casamento com Márcio Toledo, ex-presidente do Jockey.


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