Dia decisivo na crise da Venezuela

Soldados venezuelanos mataram dois civis e feriram outros 15. Vice Mourão descarta intervenção

Por O Dia

TENSAO NA FRONTEIRA
TENSAO NA FRONTEIRA -

Brasília - O agravamento da crise da Venezuela, depois do fechamento da fronteira com o Brasil, fez com que autoridades brasileiras se reunissem neste sábado no Palácio do Planalto para discutir o assunto. Em entrevista coletiva, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que a entrega de alimentos e medicamentos à Venezuela está mantida para este sábado e é "apenas de ajuda humanitária". Segundo ele, neste momento, não vai se envolver com a política do país vizinho.

Uma operação organizada pela oposição a Nicolás Maduro prevê a entrada de ajuda humanitária no país partindo do Brasil e da Colômbia. Ontem, em sua conta no Twitter, o deputado federal Americo de Grazia, apoiador do autoproclamado presidente da República, deputado Juan Guaidó, divulgou que soldados venezuelanos abriram fogo contra um grupo de civis que tentava manter aberta uma passagem na região da fronteira entre a Venezuela e o Brasil.Uma mulher e seu marido foram mortos e ao menos outras 15 pessoas ficaram feridas - 4 em estado grave.

Após o confronto entre manifestantes e militares, Maduro usou sua conta no Twitter para defender os efetivos repressivos. "Nossas Forças Armadas estão mobilizadas em todo o território nacional para garantir a paz e a integral defesa de nosso país. Todo meu respaldo as Redi [Regiões de Defesa Integral] e às Zodi [Zonas de Defesa Integral]", escreveu Maduro, afirmando, em outra postagem, que, na fronteira com a Colômbia, "povos indígenas se concentraram em apoio à Revolução Bolivariana".

O autoproclamado presidente Juan Guaidó também usou o microblog para se solidarizar com os parentes dos dois mortos e com os feridos. O deputado também cobrou um posicionamento dos militares venezuelanos.

"Decidam de que lado estão nesta hora definitiva. A todos os militares: entre hoje e amanhã, vocês definirão como querem ser lembrados", disse Guaidó, sobre a previsão de que a ajuda humanitária enviada à fronteira com o Brasil comece a ser distribuída hoje.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, reiterou que o governo brasileiro não tem planos de intervenção. "O governo brasileiro deixou claro que a nossa ação sempre será no sentido da não intervenção interna. Apenas manteremos a pressão externa e as palavras junto com os demais países que estão cooperando no esforço para que a Venezuela retome um caminho de democracia", disse Mourão, que irá à Colômbia na próxima segunda-feira, para discutir a situação com o Grupo de Lima.

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