02 da PF desmente Bolsonaro

Delegado afirma que a polícia mirou o senador, filho do presidente, por crime eleitoral

Por O Dia

Senador Flavio Bolsonaro
Senador Flavio Bolsonaro -
O delegado Carlos Henrique Oliveira, atual diretor-executivo da Polícia Federal e novo "número dois" da corporação, afirmou em depoimento na quarta-feira que a corporação mirou, sim, familiares do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o inquérito "era de âmbito eleitoral, e já foi relatado sem indiciamento".
"Perguntado se tem conhecimento de investigações sobre familiares do presidente nos anos de 2019 e 2020 na SR/PF/RJ (Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro) disse que tem conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido indiciamento", aponta.

A investigação citada mirou em supostos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica envolvendo a declaração de bens do senador Flávio Bolsonaro nas eleições de 2014, 2016 e 2018. O caso foi aberto após notícia-crime do advogado Eliezer Gomes da Silva. Ele apontou que o filho do presidente apresentou valores distintos em anos diferentes para o mesmo imóvel, localizado no bairro carioca de Laranjeiras, em declarações à Justiça Eleitoral. O inquérito era sigiloso e já foi remetido à Justiça Eleitoral sem proposta de indiciamento.

A confirmação de Oliveira sobre o inquérito contradiz o presidente Jair Bolsonaro, que declarou que ninguém de sua família é investigado pela Polícia Federal. "Não estou e nem estive preocupado com a Polícia Federal. Nunca tive ninguém da minha família investigada pela Polícia Federal", afirmou o presidente, ao responder sobre a reunião do dia 22 de abril. A ocasião é apurada pela PF como o dia em que Bolsonaro supostamente ameaçou demitir Moro se ele não trocasse o comando da corporação. Bolsonaro nega.

Deputada na berlinda
Em depoimento à Polícia Federal, em Brasília, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) negou que estivesse falando em nome do Palácio do Planalto. No entanto, a deputada admitiu que enviou uma mensagem em 23 de abril ao então ministro da Justiça, Sergio Moro, sugerindo a ele que conversasse com o presidente Jair Bolsonaro. O objetivo da conversa, segundo ela, seria fazer com que Bolsonaro garantisse a Moro uma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na mesma troca de mensagens, Carla Zambelli disse a Moro: "Bolsonaro vai cair se o Sr. sair". Em resposta, Moro disse a Carlai que já havia falado com Bolsonaro naquele dia. Na sequência das mensagens, Moro disse à deputada que não está "à venda". A troca de mensagens foi incluída no inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal.

Comentários