A batalha da grande mídia

Na noite de terça-feira, ao abrir a reunião com os dirigentes dos partidos da base aliada que apoiam sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff fez uma avaliação sobre os rumos da campanha e afirmou que seu governo “está perdendo a batalha da mídia”

Por bruno.dutra

Ressaltou que, apesar de todas as críticas que recebe dos principais meios de comunicação, os resultados de sua gestão são bons. Segundo reportagem do jornal “O Globo”, ela fez referência específica ao sucesso do programa Mais Médicos e ao êxito da Copa do Mundo “contra tudo e contra todos”. E também se mostrou otimista em relação à economia: “Apesar de dizerem que o país ia quebrar, ele está em boas condições”. Houve quem ponderasse que o governo se comunica mal, e a presidente, embora tenha concordado, garantiu que na campanha terá oportunidade de explicar melhor as ações de seu governo.

Fica no ar, porém, o tema abordado pela presidente Dilma. O que vem a ser exatamente a tal da “batalha da mídia”? Existe, de fato, uma campanha aberta da grande imprensa contra seu governo? Os principais jornais, revistas e redes de TV, no eixo Rio/São Paulo, deturpam a realidade com o objetivo de reduzir o impacto das realizações oficiais? A mídia de maior repercussão está atrelada às candidaturas da oposição?

São muitas perguntas e seria inconsequente respondê-las de uma tacada só como querem os petistas que defendem controles mais rígidos dos meios de comunicação, a exemplo do que fizeram os governos da Argentina e da Venezuela. É preciso policiar a mídia, dizem os mais exaltados, acenando com a polêmica Lei dos Meios de nossos vizinhos.

Como acontece em países democráticos, uma corrente da imprensa brasileira é crítica em relação à gestão Dilma Rousseff e não esconde isso dos leitores. Quem assina determinadas revistas e jornais sabe exatamente qual é a linha editorial. Dali, vem chumbo grosso contra o governo. Outros órgãos também atiram, mas tentam mostrar certa imparcialidade.

Esta semana, por exemplo, a “Folha de S.Paulo”publicou, em primeira mão, denúncia contra o tucano Aécio Neves que caiu do céu para o PT, num momento de divisões na comitê de Dilma. Existem veículos, porém, que mantêm postura independente, sem cair em desvios preconceituosos. Expõem os fatos e deixam as conclusões por conta dos leitores. Pautam-se pelo equilíbrio e pela isenção jornalística.

A preocupação de Dilma faz sentido. A maior fatia da grande imprensa não vê seu governo com bons olhos e torce pela vitória da oposição. São poucos os jornais e revistas que dão o devido peso aos avanços do país e cobram de Aécio Neves e Eduardo Campos propostas concretas, para além da retórica. Entretanto, não se deve esquecer uma novidade: o peso das mídias sociais. Blogs e sites na internet têm índice de leitura cada vez maior e, em sua maioria, mostram simpatia pelo PT, pelo ex-presidente Lula e pela reeleição de Dilma.

Nesse universo, criaram a sigla “Pigs” (Partido da Imprensa Golpista)para identificar jornalistas que criticam a presidente e os petistas. São vigilantes e não deixam passar nada em branco. De tão zelosos em defender o governo, às vezes trocam tiros entre eles mesmos. De qualquer forma, servem de contrapeso para a má vontade reinante.

A batalha da mídia existe. Mas Dilma tem a caneta na mão para criar fatos positivos, como a recente reunião dos Brics, e terá tempo de sobra na TV para enfrentar seus críticos.

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