Por diana.dantas
A temporada de más notícias para a Petrobras parece interminável. Ontem, com forte baixa nos pregões, a estatal voltou a perder valor de mercado e caiu para o quarto lugar entre as maiores empresas cotadas em Bolsa. Há duas semanas fora desbancada do primeiro lugar pela Ambev, mas agora também está atrás do Itaú Unibanco e do Bradesco. Na América Latina, a Petrobras já desceu para o quinto lugar, pois é superada pela América Movil, do mexicano Carlos Slim, o segundo homem mais rico do mundo.
Os mais otimistas dizem que, se a queda continuar, a estatal do petróleo em breve apresentará um preço convidativo para quem investe de olho no longo prazo. Pode ser. Por mais que venham novos desdobramentos, a Operação Lava-Jato já fez estragos pesados na imagem da empresa, provocando inclusive a suspensão do balanço. Daqui em diante, o vento pode mudar de direção, com novidades na produção no pré-sal.
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Por enquanto, falam mais alto os efeitos das denúncias de corrupção e a queda no preço do barril de petróleo. No meio deste pesadelo, o melhor a fazer é pensar nos tempos épicos da estatal, que ganhou vida há exatos 63 anos. Tudo começou no dia 8 de dezembro de 1951, quando o presidente Getúlio Vargas enviou ao Congresso mensagem com o projeto de lei que criava a Petróleo Brasileiro S/A, com o objetivo de “levar a efeito a pesquisa, a extração, o refino e o transporte do petróleo e seus derivados”. O capital da empresa, de acordo com o projeto, seria integralizado da seguinte forma: bens da União ligados à prospecção de petróleo, receita federal com base no imposto de combustíveis, taxação de artigos de luxo, receita estadual oriunda dos imposto de combustível, empréstimo compulsório sobre o licenciamento de veículos e, finalmente, subscrição de ações por particulares e entidades públicas.

O resto faz parte da história. O projeto de Vargas provocou reação violenta de seus adversários, que atacaram a criação de uma empresa estatal e também a recusa a receber aporte de capital e tecnologia estrangeiros. Com estas características, diziam os críticos, a iniciativa estava fadada ao fracasso. Na outra ponta do cabo de força, saíram em defesa da nacionalização do petróleo os aliados do governo, sindicatos, associações civis e o Partido Comunista Brasileiro. Aos poucos, o movimento tomou conta do país, com a adesão de estudantes e operários. Assim nasceu a campanha “O Petróleo é Nosso”. A luta também dividiu o Clube Militar em duas correntes: a “nacionalista”, a favor de Vargas, e a “entreguista”, alinhada aos interesses das grandes empresas americanas que dominavam o mercado mundial de combustíveis. Mas a pressão popular prevaleceu e o projeto foi aprovado. No dia 3 de outubro de 1953, Getúlio Vargas sancionou a Lei nº 2004, que criou a Petrobras.
Quem participou daquela luta conta que poucas vezes se viu mobilização parecida (talvez na campanha das Diretas Já, em 1984). E certamente está triste com o que vê hoje. Mas, para afastar para longe os maus fluidos da Petrobras, nunca é demais celebrar outra glória nacional: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Reverenciado em todo o mundo por obras como “Garota de Ipanema”, “Águas de Março”, “Chega de Saudade” e “Insensatez”, Tom Jobim morreu há 20 anos, em 8 de dezembro de 1994. O grande maestro só nos deu arte e encantamento.
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