Era, de fato, uma situação curiosa. À exceção de Vale, Petrobras e Banco do Brasil, as principais ações pertenciam a empresas com raízes paulistas. Mas a BVRJ concentrava mais de 80% do volume de negócios do mercado de ações. Falava alto a tradição, para desgosto dos corretores de São Paulo. Um deles, Eduardo da Rocha Azevedo, ao assumir a presidência da Bovespa, decidiu acabar com a hegemonia do Rio. Levou para o prédio da Rua Álvares Penteado, no Centro Velho, experientes executivos do mercado carioca e, aos poucos, equiparou a Bovespa à BVRJ. Conta-se que, nas primeiras vezes em que o volume da Bovespa foi maior, Rocha Azevedo mandou abrir garrafas de champanhe no pregão. A disputa tornou-se acirrada até que ocorreu o famoso e polêmico caso envolvendo o megaespeculador Naji Nahas. Após se desentender com Rocha Azevedo, Nahas passou suas aplicações para a Bolsa do Rio e foi recebido em festa pelos corretores locais. Havia chance de retomar a liderança, mas saiu tudo errado. Nahas não conseguiu honrar seus compromissos e a BVRJ, já fragilizada, quebrou. Nunca mais foi a mesma e fechou as portas no ano 2000.
São Paulo ganhou o páreo, mas o país jogou fora um longo histórico de know-how em finanças. Agora, quinze anos depois, surge uma luz no fim do túnel. Conta o colunista Ancelmo Gois que governador Luiz Fernando Pezão pretende se empenhar junto ao ministro Joaquim Levy e à Comissão de Valores Mobiliários para que o Rio volte a ter sua Bolsa. Está em discussão a montagem de um braço da Bolsa Mercantil de Nova York (Nynex), talvez na Praça XV. O ministro Levy, como se sabe, é carioca e botafoguense e foi secretário da Fazenda do Estado. Ele tem tudo para apoiar a causa. Seria um belo presente de aniversário para a cidade fundada por Estácio de Sá em 1º de março de 1565.