Apesar deste quadro desanimador, um esforço para atrair mais o investimento estrangeiro produtivo (ou IEP) para o Brasil vale muito a pena, está longe de ser uma tarefa impossível. De fato, de acordo com a UNCTAD, o Brasil se posiciona em sexto lugar entre as economias que mais atraem investimento estrangeiro; e uma pesquisa de uma das líderes globais em consultoria (ver http://atkearney.com) que analisa como os estrangeiros percebem as perspectivas dos países recipientes de IEP, coloca o Brasil entre os cinco com maiores índices de confiança do investidor estrangeiro - depois dos EUA, da China, do Canadá e do Reino Unido. E está entre as poucas economias em que a percentagem de investidores que melhoraram sua expectativas de longo prazo superam os que são mais otimistas - respectivamente 39% contra 13%. Ou seja, são muito otimistas as expectativas dos investidores globais sobre o nosso longo prazo.
Isto leva alguns analistas a pensar, erroneamente, que para melhorar nossas chances como porto de atração de investimento produtivo estrangeiro basta reequilibrarmos a macroeconomia e melhorarmos o ambiente de negócios. Não basta. Pelo menos ‘e o que diz Theodore H. Moran, pesquisador sênior não-residente do Peterson Institute, um “think tank” privado baseado em Washington. Em um artigo que vale a pena ser lido (Peterson Institute, Woking Paper 14-12), este autor mostra ampla evidência que a tarefa de atrair o bom colesterol estrangeiro exige dos governos um conjunto de ações para superar “falhas de mercado e impedimento que impedem a expansão de cadeias de produção em economias em desenvolvimento”. Entre elas, ele ressalta “a criação de agências de promoção de investimento eficazes e o financiamento de parques industriais, infraestrutura confiável, e treinamento vocacional com um currículo desenhado” para atender o perfil dos novos investimentos.
De uma certa forma, tanto o governo brasileiro (através especialmente do Ministério do Desenvolvimento, Indústrias e Comércio) quanto o setor privado brasileiro (a Confederação Nacional de Indústrias por exemplo) têm realizado ações de atração de investimento. Porém o que parece distinguir a nossa experiência e as citadas por Moran é a nossa falta de plano de fôlego que articule todas as agências públicas e privadas em um objetivo comum de longo prazo. Um plano que crie, como sugerido por Moran, uma agência autônoma e com capacidade coordenadora, mas que também articule as ações de promoção (por exemplo, a APEX do MDIC e a ABC do Itamaraty), de financiamento (o BNDES), de promoção de inovação (FINEP) e de formação de quadros (CNPq, Sebrae, Ministério da Educação, só para citar alguns).
Ou seja, é boa a ideia de atrair o “bom colesterol estrangeiro” para complementar nossas necessidades de financiamento de longo prazo, promover o salto de conhecimento e reduzir o hiato de capital humano de maior qualificação que entrava o crescimento brasileiro. Mas para isto, temos de ir muito além do “business as usual”: precisamos de uma renovada política de atração, de um novo desenho institucional e muita, muita cooperação e coordenação entre os setores público e privado.