Por diana.dantas
Atrair empresários estrangeiros dispostos a investir no Brasil poderia ajudar muito nossa economia neste momento. Complementaria as fontes domésticas de financiamento de longo prazo, no momento que se espera uma retração do financiamento público de longo prazo no Brasil. Ajudaria, também, na melhoria da competitividade ao promover inovação e ampliar a oferta de capital humano de alta qualificação. Por fim, seria uma fonte bem-vinda de estabilidade do financiamento de nosso balanço de pagamentos. Mas para atrair este “bom colesterol estrangeiro”, como mostra a experiência internacional, políticas são fundamentais - especialmente aquelas que gerem coordenação entre ações públicas e privadas.
Diga-se logo, atrair o “bom colesterol estrangeiro” não será fácil. Como mostra o Banco Internacional de Compensações (BIS), no seu mais recente boletim trimestral (BIS Quartel Review), os fluxos de capital foram, sim, turbinados pelas políticas super-expansionistas dos Estados Unidos, do Japão e (mais recentemente) da Europa; porém aumentou de forma preocupante a sua volatilidade. Ou seja, num momento marcado pelo fraco desempenho da economia real e de minas geopolíticas do mapa mundial do investimento, tem diminuído o apetite dos investidores globais por riscos de longo prazo. Esta análise corrobora o quadro, apontado pelo World Investment Report (WIR) da UNCTAD (https:/unctad.org), de tendência de queda do investimento estrangeiro direto (IED) e especialmente do montante de investimento produtivo estrangeiro (em inglês, greenfield investment ou GFI).

Apesar deste quadro desanimador, um esforço para atrair mais o investimento estrangeiro produtivo (ou IEP) para o Brasil vale muito a pena, está longe de ser uma tarefa impossível. De fato, de acordo com a UNCTAD, o Brasil se posiciona em sexto lugar entre as economias que mais atraem investimento estrangeiro; e uma pesquisa de uma das líderes globais em consultoria (ver http://atkearney.com) que analisa como os estrangeiros percebem as perspectivas dos países recipientes de IEP, coloca o Brasil entre os cinco com maiores índices de confiança do investidor estrangeiro - depois dos EUA, da China, do Canadá e do Reino Unido. E está entre as poucas economias em que a percentagem de investidores que melhoraram sua expectativas de longo prazo superam os que são mais otimistas - respectivamente 39% contra 13%. Ou seja, são muito otimistas as expectativas dos investidores globais sobre o nosso longo prazo.

Isto leva alguns analistas a pensar, erroneamente, que para melhorar nossas chances como porto de atração de investimento produtivo estrangeiro basta reequilibrarmos a macroeconomia e melhorarmos o ambiente de negócios. Não basta. Pelo menos ‘e o que diz Theodore H. Moran, pesquisador sênior não-residente do Peterson Institute, um “think tank” privado baseado em Washington. Em um artigo que vale a pena ser lido (Peterson Institute, Woking Paper 14-12), este autor mostra ampla evidência que a tarefa de atrair o bom colesterol estrangeiro exige dos governos um conjunto de ações para superar “falhas de mercado e impedimento que impedem a expansão de cadeias de produção em economias em desenvolvimento”. Entre elas, ele ressalta “a criação de agências de promoção de investimento eficazes e o financiamento de parques industriais, infraestrutura confiável, e treinamento vocacional com um currículo desenhado” para atender o perfil dos novos investimentos.

De uma certa forma, tanto o governo brasileiro (através especialmente do Ministério do Desenvolvimento, Indústrias e Comércio) quanto o setor privado brasileiro (a Confederação Nacional de Indústrias por exemplo) têm realizado ações de atração de investimento. Porém o que parece distinguir a nossa experiência e as citadas por Moran é a nossa falta de plano de fôlego que articule todas as agências públicas e privadas em um objetivo comum de longo prazo. Um plano que crie, como sugerido por Moran, uma agência autônoma e com capacidade coordenadora, mas que também articule as ações de promoção (por exemplo, a APEX do MDIC e a ABC do Itamaraty), de financiamento (o BNDES), de promoção de inovação (FINEP) e de formação de quadros (CNPq, Sebrae, Ministério da Educação, só para citar alguns).

Ou seja, é boa a ideia de atrair o “bom colesterol estrangeiro” para complementar nossas necessidades de financiamento de longo prazo, promover o salto de conhecimento e reduzir o hiato de capital humano de maior qualificação que entrava o crescimento brasileiro. Mas para isto, temos de ir muito além do “business as usual”: precisamos de uma renovada política de atração, de um novo desenho institucional e muita, muita cooperação e coordenação entre os setores público e privado.
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