Campos – Ao destacar a importância da cana-de-açúcar produzida em Campos dos Goytacazes (RJ) para o Brasil, em visita à cidade, o então presidente da República (1943), Getúlio Vargas, se empolgou em seu discurso e exclamou: “Campos, espelho do Brasil”! Não exagerou; como não foge à realidade quem recorre à legenda para exaltar beleza da mulher campista focado em Gabrielly Martins, de 18 anos, vitoriosa em vários concursos, inclusive miss.
Representando o estado do Rio de Janeiro, a jovem foi vice (top 2) no Miss Brasil CBE – 2025, dia primeiro de novembro, em Curitiba, categoria adulta, na mesma passarela em que outra campista - Maria Fernanda Felizardo -, negra de 14 anos, venceu o teen. Gabrielly já garantiu o título de miss para os municípios de Campos e São Francisco de Itabapoana e sonha chegar a miss universo.
“Muito interessante Gabrielly ter conquistado o top 2 entre candidatas de 20 estados, com algumas experientes por terem participado de grandes desfiles”, comenta o estilista Sidinho Ramos, que preparou a moça: “Cuidei de toda produção, desde passarela e etiqueta ,tanto da Maria Fernanda Felizardo (categoria teen), como da Gabrielly Martins. Não foi nenhuma novidade o sucesso das duas”.
O estilista resume que apostou no talento e condição de cada uma: “O retorno veio no conceituado certame da franquia do Wando Baraneck, que em 2024 elegeu a atriz Grazi Massafera". A mãe, professora Marny Martins resume o orgulho: “Me sinto feliz em vê-la se realizando, ampliando seu horizonte, com perspectivas boas para o futuro”.
“Como pai, fico muito feliz ao testemunhar o sonho da minha filha se realizando”, realça o pai, taifeiro Rozinei Henrique. O irmão, Murilo Martins, também vibra: “O coração transborda de felicidade; estamos sempre apoiando e vibrando com o empenho que ela põe a cada passo que dá na passarela; sinto muito orgulho dela”. Para Gabrielly, o que define verdadeiramente a beleza vem de dentro.
ENTREVISTA
O DIA - Quem é Gabrielly Martins? Sou uma menina determinada; vou em busca dos meus sonhos e não deixo me abalar por nada, por mais difícil que seja a situação.
OD- O que a levou ao círculo de misses? Sofreu influência de alguma consagrada? E a trajetória através da beleza? A minha inspiração começou quando eu estava no salão de beleza Perfil, me produzindo para os meus 15 anos. A maquiadora (Silvana) falou que eu sou muito bonita e me incentivou participar de um curso de modelo. A partir daí, passei a observar o mundo miss; o desejo falou mais alto. Procurei a agência Rosana Gusmão, dei seguimento e não parei mais.
OD - O resultado de Curitiba convenceu? E a vitória da conterrânea Maria Fernanda, de 14 anos? Claro que sim; uma experiência inusitada, além de resultados dos quais não discordo. Quanto à Maria Fernanda, viajamos juntas e estivemos juntas a todo o momento. Ela acabou brilhando na passarela, começar brindando o mês de novembro, (que é o mês da consciência negra), com sua vitória.
OD - Qual é o seu grau de instrução e o que a beleza representa no seu plano de vida profissional? Estou em fase de terminar o ensino médio e me dedicar à Faculdade de Psicologia. Sobre a beleza no meu plano de vida profissional, é ainda confuso. Sei que a beleza é como se fosse um cartão postal; porém, a realidade é outra, pois o caráter e a dignidade falam mais alto.
OD - Usar a imagem para promover produtos, através de desfiles, é da profissão de modelo. Até que ponto uma misse tem significado na propagação de quem ela representa? Primeiro; além de miss, ela tem que ter uma dose dupla de talento para representar o produto; e a partir daí provocar grande visibilidade do produto que representa, seja ele qual for. Além de tudo isso, uma miss tem o papel de levantar bandeiras sociais e inspirar outras pessoas.
OD - No poema “Receita de Mulher”, Vinicius de Morais diz: “As muito feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”. A frase te envaidece? Me sinto lisonjeada; mas a beleza não é tudo. A verdadeira beleza está no caráter, na empatia e na forma como tratamos as pessoas.
OD - Você é bela por natureza. Nesse caso, maquiar-se significa um realce. No entanto, há situações em que maquiagem parece ser protagonista da beleza. Verdade ou mito? Acredito que seja mito. A maquiagem pode realçar a beleza, mas não é o que a define. A verdadeira beleza vem de dentro.
OD - Acredita que possa haver risco, gerado por maquiagem sem critério, de a aparência enganar em um concurso de beleza? Sim. A maquiagem é fundamental para realçar o traço da beleza na proporção correta; quando usada de forma exagerada é que acontece a transformação exótica e não real.
OD - Se tivesse que sugerir algum ajuste no básico dos critérios para definir uma misse, o que proporia? Esse critério praticamente já existe. Ao meu ver, o teste de oratória geralmente define e consagra uma miss, revelando seus conhecimentos gerais como base de uma cultura.
OD - Sonhar não custa nada? O sonho é livre. A realização de um sonho requer esforço e dedicação, e acreditar na possibilidade de alcançar.
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