Transporte público eficaz antecipa futuro ‘smart’

Metrô, trem, BRT e VLT são melhores soluções para meios urbanos, dizem especialistas

Por douglas.nunes

Pensar as cidades para as pessoas e colocar a questão da mobilidade no centro das preocupações é algo apontado como essencial por especialistas, especialmente para melhorar a qualidade de vida nos grandes centros urbanos. Para isso, a tecnologia é uma ferramenta que traz melhorias. Mas, antes de recorrer à produtos sofisticados, é preciso que as grandes cidades tenham planejamento e gestão eficiente que lhes permitam caminhar a passos mais largos no caminho das smart cities.

“Qualquer cidade, para ser mais inteligente, precisa de planejamento estratégico e isso significa priorizar o que é mais crítico, no nosso caso, o transporte. No Brasil, falta a preocupação com a mobilidade urbana, que é um problema crescente das grandes capitais. E esse problema só será resolvido com a criação de projetos de longo prazo. Não há outra solução”, diz o professor e especialistas em transportes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Alexandre Rojas.

BRT é alternativa viável para cidades brasileiras. Projetos foram impulsionados por grandes eventosDivulgação

No caso do Brasil, existe a necessidade de melhorar o transporte coletivo, de forma a torná-lo uma alternativa viável ao automóvel. E os projetos começam a tomar forma, em especial nas capitais, onde a demanda por deslocamento de massa é maior.

Grandes cidades como Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte têm apostado no BRT (Bus Rapid Transit, ou Sistema de Ônibus Rápidos), com corredores exclusivos, como alternativa para seus problemas de mobilidade. Se bem planejado e operado, um sistema BRT tem a capacidade de transporte semelhante aos metrôs, de acordo com especialistas. Pode ainda reduzir o tempo de viagem, diminuir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e funcionar como promotor de desenvolvimento econômico e social para as regiões do trajeto.

O Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (cuja sigla em inglês é ITDP), considera o BRT como um dos oito princípios de mobilidade para criação de cidades mais inteligentes e eficazes no transporte público. No entanto, para criar uma cidade inteligentes, o ITDP aposta na reorganização dos espaços públicos.

“Um bom plano de mobilidade urbana ou de transporte precisa repensar o uso e a ocupação do solo, logo. A questão fundamental é a descentralização. Em centros inteligentes, as pessoas moram, trabalham e se divertem, sem a necessidade de vários deslocamentos. Isso é ocupação inteligente”, aponta Clarisse Linke, diretora do ITDP Brasil.
Mo mundo das tecnologias, há cidades, como Cingapura, que criaram um sistema que permite a previsão de congestionamentos, graças a sensores que detectam a quantidade de veículos trafegando em determinadas regiões. Eles ativam dispositivos eletrônicos capazes, por exemplo, de alterar o tempo dos sinais, e evitar que o trânsito pare.

Tecnologias como essa podem ser implementadas em cidades do Brasil. O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP) Afonso Celso Bueno Monteiro, destaca que as tecnologias são primordiais para a solução desses problemas. “ Cidade inteligente, para ser inteligente, precisa ter boa mobilidade, tecnologia de ponta e integração entre todos os serviços”, diz.

5 minutos: Enrique Peñalosa, urbanista e ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia

Qual a sua avaliação da mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras?

Em geral, há problemas típicos de cidades de países em desenvolvimento que cresceram desordenadamente. As cidades também sofrem com a falta de planejamento nos cinturões urbanos.

Quais as opções para o Brasil resolver os crescentes problemas de trânsito?

Engarrafamentos são solucionados com a restrição no uso do carro particular, rodízios, restrições ao estacionamento em espaços públicos, gasolina mais cara, além da criação de pedágios urbanos.

O que acha do trânsito no Rio de Janeiro e em São Paulo?

São duas das maiores cidades do mundo, das mais dinâmicas. Entendo que a única maneira de conseguir solucionar a mobilidade é conseguindo que, quem usa carro, use o transporte público.

Qual deve ser a prioridade do governo no Brasil em relação à mobilidade?

É importante ter uma perspectiva de equidade. É preciso ter soluções de superfície para isso. Não se deve apenas empurrar os usuários de transporte público para o metrô.

Sua experiência em Bogotá foi com as ciclovias. São viáveis no caso do Brasil?

As bicicletas serão cada vez mais importantes nas grandes cidades, em especial nas que almejam ser smart cities. Quando há ciclovias, as pessoas são estimuladas a usá-las. Mas para que isso dê certo, é preciso planejamento.

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