Fernando MansurO DIA

 No capítulo LV, O SONETO, do livro Dom Casmurro, Machado de Assis – ou seu personagem – sugere ao leitor que preencha um poema, já que o autor só conseguira escrever dois versos: “Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura!” e “Perde-se a vida, ganha-se a batalha!” ou seu oposto: “Ganha-se a vida, perde-se a batalha!”. Ele desafia: “Tudo é dar-lhe uma ideia e encher o centro que falta”. É o que tentei fazer, preencher.
E ficou assim (com licença, Dom Casmurro):
“Oh! flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!” /Por que me olhas com tamanha desmesura? /
“Perde-se a vida, ganha-se a batalha!” /Ideia estranha, que às vezes me atrapalha.
Poderia o verso ser ao reverso? / “Ganha-se a vida, perde-se a batalha!” /
Teus olhos a arma que me metralha. /
“Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura!”/
Viver contigo é o que a vida me augura. /
Morte e vida, vida e morte/ Os fios de uma mesma malha. /
Vitória e derrota, derrota e sorte, / Sorver-te em versos e tudo que me valha.
A vida segue em atropelo/ em um “zás que darás” sem fim. /
Mas ainda que no sussurro dos sonhos, /
Nunca te esqueças de mim, / Esse teu menino casmurrinho, /
O Amor de Capitu, Bentinho. //
Leio a edição comemorativa de 125 anos do lançamento de Dom Casmurro pela editora Garnier, “Travessa do Ouvidor, 13”. A obra foi lançada originalmente em 1899, tornando-se uma referência mundial. E o mais admirável é que esta editora continua viva até hoje, semente poderosa plantada pelo francês Baptiste-Louis Garnier.
Parabéns! Gratidão!