PeixotinhoReprodução

Francisco Peixoto Lins nasceu no Ceará em 1905. Órfão de pai e mãe bem cedo, foi matriculado num seminário católico. Aos 14 anos, desistiu da vida clériga por questionar sobre os dogmas da Igreja.
Aos 15 anos, manifestaram-se os primeiros indícios de sua extraordinária mediunidade, sob a forma de obsessão. Era tomado de estranha força física, tornando-se capaz de lutar e vencer vários homens, apesar de ter menos de 18 anos e ser fisicamente franzino.
Sofreu uma paralisia que o prostrou num leito durant e meses. Um dos seus vizinhos, espírita, prestou-lhe socorro espiritual, com passes e preces. Peixotinho, como era chamado, começou a ler obras espíritas. Em menos de um mês, melhorou e iniciou o seu desenvolvimento mediúnico, tornando-se um dos mais famosos médiuns de materializações e efeitos físicos.
Em 1926, fundou o Centro Espírita Pedro, instituição que por muito tempo se tornou a sua oficina de trabalho. Em 1945, no Rio, participou da fundação do Grupo Espírita André Luiz, onde se produziram as mais surpreendentes sessões de materializações.
Em 1948, ao lado de Chico Xavier, propiciou a oportunidade de propiciar belíssimas sessões de materializações e assistência aos enfermos. Um fato curioso aconteceu na noite de 10 de fevereiro de 1949. Peixotinho perdeu o trem que o levaria a Pedro Leopoldo para um encontro com Chico Xavier. Peixotinho notou o espírito da Irmã Scheilla ao lado da esposa do anfitrião, Dona Ló, que estava seriamente enferma, com câncer.

Peixotinho participou de uma sessão de materialização de espíritos e ectoplasmia na residência, com a obtenção de fenômenos de efeitos físicos. No dia seguinte, foi realizada outra sessão, com a presença de Chico Xavier. O processo deu origem a diversas reuniões de materialização de espíritos para o tratamento de enfermos na casa. Dona Ló foi curada e viveu por mais 22 anos, vindo a desencarnar vitimada por infarto.
Em 1949, Peixotinho transferiu-se para a cidade de Campos, onde fundou o Grupo Espírita Araci, em homenagem ao seu guia espiritual. Por seu intermédio, produziram-se as famosas materializações luminosas e uma série dos mais peculiares fenômenos, tudo dentro da maior seriedade. Peixotinho desencarnou na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro, em 16 de junho de 1966.

A materialização espírita é um raro fenômeno de efeitos físicos onde espíritos se tornam visíveis e tangíveis, utilizando ectoplasma, substância expelida por um médium de efeitos físicos (geralmente orifícios como boca/nariz). Essa energia, combinada com fluidos do ambiente e assistentes, permite que o espírito molde uma forma temporária.
O ectoplasma, que pode ser fluido ou pastoso, é moldado pelos espíritos para revestir seu perispírito, tornando-o perceptível aos olhos humanos. Geralmente exige escuridão total (ou luz vermelha) porque fótons de luz branca danificam o ectoplasma. O médium de efeitos físicos entra em transe profundo (desmaio), servindo como "fonte" de 70% da energia.
A forma materializada pode assemelhar-se a um ente querido falecido ou, se a psicosfera da sala estiver desequilibrada, assumir traços do próprio médium. Pode ser uma materialização total (forma humana completa), parcial (apenas uma mão ou laringe para voz) ou apenas luzes. O fenômeno é considerado raro e exige grande sintonia moral e energética entre os presentes para ocorrer.