Arte coluna Bispo Abner 30 novembro 2025Arte Paulo Márcio
A coragem de ser simples em um mundo que complica tudo
"A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores." (Pv 10.22)
Vivemos a era das camadas, dos filtros, dos detalhes que ninguém pediu, das obrigações que ninguém sabe de onde vieram.
A vida, que em sua essência é simples, nascer, aprender, amar, trabalhar, cuidar, construir e descansar, tornou-se um labirinto de expectativas irreais, imposições sociais e pressões silenciosas.
Há quem acredite que vencer na vida é acumular complexidades, colecionar títulos, perder a paz para parecer relevante. Mas, no fundo, a verdadeira bravura está exatamente no oposto: ser simples quando o mundo exige complicação.
Ser simples não é ser pequeno. Não é falta de ambição, não é acomodação, tampouco ingenuidade. A simplicidade é, antes de tudo, uma forma elevada de inteligência emocional.
É a capacidade de enxergar o que realmente importa e abrir mão do que apenas pesa. É saber que, na maioria das vezes, o excesso não acrescenta, afoga. A velocidade não ajuda, dispersa. O barulho não esclarece, confunde.
O problema é que a sociedade confunde profundidade com dificuldade, e autenticidade com performance. Tornou-se normal viver exausto, cansado de sustentar personagens, mantendo ritmos que o próprio corpo reprova.
A vida moderna nos treinou para acreditar que tudo precisa ser mais difícil do que é. Mais etapas, mais protocolos, mais justificativas e menos verdade.
Por isso a simplicidade é corajosa: porque ela confronta o supérfluo, desarma os exageros e devolve o ser humano ao essencial. Simplificar relações, por exemplo, exige maturidade. Nem tudo precisa ser mal interpretado, dramatizado ou respondido com urgência.
Às vezes, a resposta mais sábia é só respirar. Simplificar a rotina também é coragem, porque o mundo espera que você viva para produzir e não para existir.
Vamos orar:
Senhor, dá-me discernimento e coragem para escolher o que importa. Guia-me com Tua paz e Tua sabedoria. Em nome de Jesus, amém.

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