Arte coluna Bispo Abner 22 fevereiro 2026Arte Paulo Márcio
A intenção, para muitos, pareceu clara: sugerir que a fé cristã e o conservadorismo seriam algo atrasado, rígido, “preso numa lata”, como se o compromisso com valores fosse uma espécie de museu ambulante. Mas aqui está o ponto decisivo — e é onde a tentativa de depreciar se converte em promoção involuntária: “conservar” é exatamente a função do sal. E o sal, no ensinamento de Cristo, não é insulto; é vocação.
Chamar cristãos e conservadores de “enlatados” pretende reduzir pessoas a estereótipos: como se a fé fosse uma fantasia, e não uma convicção; como se a moral fosse um figurino, e não um caráter.
Só que caricaturas são, por natureza, confissões: elas denunciam a dificuldade de dialogar com o real. Quando falta argumento, sobra rótulo. Quando falta respeito, sobra escárnio.
E isso é um erro estratégico — até no campo cultural.
2) “Conservador” não é ofensa: é preservação do que sustenta a vida
A palavra “conservador” pode ser usada como xingamento por quem confunde liberdade com dissolução.
A Bíblia chama o povo de Deus de sal da terra e luz do mundo. Sal retarda a corrupção; luz expõe o caminho. Isso não é arrogância; é serviço.
3) Liberdade artística não é licença para desprezo religioso
É legítimo que manifestações culturais expressem críticas sociais; a própria tradição carnavalesca tem esse DNA. Mas há uma fronteira ética que uma sociedade civilizada reconhece: crítica não é desumanização; sátira não é escárnio contra a fé alheia.ão se trata de “censurar a arte”; trata-se de exigir que a arte, ao tocar em convicções religiosas, não desça ao nível do preconceito revestido de humor.
4) O efeito bumerangue: ao tentar diminuir, a escola acabou confirmando nossa relevância
Há um detalhe revelador: ninguém “satiriza” o que considera irrelevante. A escolha de retratar evangélicos e conservadores como “lata” é uma admissão tácita de influência: há um incômodo real com a presença cristã no tecido social.
É paradoxal, mas frequente: o escárnio, muitas vezes, funciona como propaganda do alvo.
5) Uma resposta cristã: firmeza sem vulgaridade, contundência sem crime
O caminho mais inteligente — e mais cristão — não é revidar com ódio. É responder com clareza, firmeza, elevação. Não precisamos “baixar o nível” porque nossa força não está no grito; está no conteúdo. E é aqui que a tradição cristã mostra superioridade moral: somos chamados a dizer a verdade sem difamar, a corrigir sem destruir, a resistir sem nos tornar aquilo que criticamos.
Assim, sustentamos três mensagens centrais, com segurança:
1.Rejeitamos a ridicularização da fé e da família, porque isso alimenta preconceitos e fere a convivência democrática.
2.Assumimos o termo “conservador” sem vergonha, pois conservar valores é preservar a saúde moral de uma sociedade.
3.Reafirmamos nossa vocação bíblica de sal e luz: não para dominar pessoas, mas para servir ao bem comum, com responsabilidade, disciplina e esperança.
Conclusão: a “lata” não nos diminuiu — nos descreveu
Se a intenção foi rotular para depreciar, o resultado foi outro.

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