As mudanças climáticas demandam de governos e empresas medidas de mitigação dos impactos ambientaisTomaz Silva/Agência Brasil
Cooperação pode colocar o Rio na rota verde
A integração entre governos pode atrair recursos e transformar o Rio de Janeiro em referência nacional em sustentabilidade e economia de baixo carbono.
O movimento do Banco Mundial de vincular novas linhas de crédito à preservação ambiental sinaliza uma mudança de paradigma: o desenvolvimento econômico do futuro dependerá da capacidade dos governos de proteger seus recursos naturais. Nessa transição, o Rio de Janeiro tem diante de si uma oportunidade estratégica de protagonismo — desde que União, estado e municípios atuem de forma articulada com instituições e a própria população.
A agenda da sustentabilidade exige integração. Ações isoladas já não bastam para enfrentar os desafios do clima, do uso racional da energia e da conservação dos biomas. No caso fluminense, o alinhamento entre políticas federais de transição energética, programas estaduais de incentivo fiscal e planos municipais de gestão ambiental pode gerar um efeito multiplicador de resultados, fortalecendo tanto a economia quanto a governança pública.
O exemplo do estado do Amazonas, que firmou um acordo com o Banco Mundial para reduzir o desmatamento em troca de condições de crédito mais vantajosas, mostra como o financiamento internacional pode se tornar uma poderosa ferramenta de transformação. O modelo, conhecido como Policy Loan (empréstimo baseado em políticas públicas), é estruturado de modo que o desembolso dos recursos esteja condicionado ao cumprimento de metas ambientais e fiscais. Para o Rio, experiências como essa indicam caminhos possíveis: vincular políticas de crédito, investimentos e obras públicas a metas claras de sustentabilidade e descarbonização.
O estado já possui instrumentos relevantes nessa direção. Um deles é o ICMS Verde, política pioneira que estimula os municípios a adotarem práticas sustentáveis em troca de maior participação na arrecadação do imposto. O mecanismo tem contribuído para que cidades fluminenses invistam em saneamento, gestão de resíduos e preservação de áreas naturais — um exemplo de como incentivos bem desenhados podem alinhar economia e meio ambiente.
Com o avanço de políticas federais voltadas à economia de baixo carbono e o interesse crescente de investidores em projetos verdes, o Rio pode se tornar um polo estratégico dessa nova economia. Mas o sucesso dependerá da capacidade de construir uma agenda comum entre os três níveis de governo e a iniciativa privada — uma agenda que transforme boas ideias em resultados concretos e duradouros.
O desafio é global, mas a resposta precisa ser coordenada. A cooperação é o alicerce para que o Rio de Janeiro deixe de reagir aos efeitos das mudanças climáticas e passe a liderar soluções sustentáveis. Nesse novo cenário, preservar não será apenas proteger — será investir no futuro.

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