Com unidades de produção de fertilizantes e ureia, o Rio pode abastecer o agro com o que hoje é importadoImagem gerada por IA
Rio de Janeiro caminha para ser polo brasileiro de fertilizantes
Com logística em expansão, projetos bilionários e inovação, o estado se prepara para abastecer o agronegócio e liderar a produção nacional.
Com um dos menores territórios do país, o Rio de Janeiro está prestes a assumir um papel estratégico para o agronegócio brasileiro. A combinação entre infraestrutura logística em expansão — como a ferrovia EF-118, que abrirá um novo corredor para o escoamento agrícola via portos — e um conjunto robusto de investimentos industriais coloca o estado na rota da produção de fertilizantes, um dos insumos mais críticos para o campo.
De acordo com o estudo “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2025”, divulgado este mês pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), os projetos já mapeados no território fluminense podem ultrapassar R$ 25 bilhões até 2030.
No Norte Fluminense, concentram-se algumas das iniciativas mais transformadoras. O Porto do Açu, em São João da Barra, uniu-se à Toyo Setal para construir uma unidade de fertilizantes nitrogenados capaz de produzir 1,38 milhão de toneladas de ureia e 781 mil toneladas de amônia por ano, com início de operação previsto para março de 2026. O complexo portuário também se prepara para ingressar na rota dos fertilizantes de baixo carbono, apostando na produção de amônia verde, obtida a partir de hidrogênio.
Outro movimento projetado pela Firjan é a instalação de duas grandes plantas de fertilizantes nitrogenados no estado. Por sua infraestrutura favorável e disponibilidade abundante de gás natural, uma das unidades será construída em Macaé e terá capacidade de produzir 1,3 milhão de toneladas por ano — o equivalente a cerca de 10% da demanda nacional. O gás natural será um combustível-chave para viabilizar uma planta industrial.
Essa expansão rumo à produção de fertilizantes não é apenas uma aposta industrial, mas uma resposta necessária. Hoje, o Brasil depende de importações para suprir mais de 85% dos fertilizantes e 100% da ureia consumidos pelo agronegócio. Essa vulnerabilidade expõe a cadeia produtiva a oscilações cambiais e a choques geopolíticos. A meta é reduzir essa dependência externa para no máximo 50% até 2025.
A transformação passa também pela ciência. O estado sediará o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), no Parque Tecnológico da UFRJ. O centro vai integrar pesquisa, indústria, startups e agronegócio, criando um ambiente de inovação voltado ao desenvolvimento de soluções, bioinsumos e fertilizantes especiais.
Com investimentos bilionários, expansão logística e um forte ecossistema de inovação, o Rio de Janeiro — especialmente o Norte Fluminense — pode se consolidar como um novo eixo nacional da produção de fertilizantes, reforçando a autonomia do país e abrindo uma nova etapa de desenvolvimento industrial.

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