Em fevereiro de 2024, Campos sediou um seminário sobre exportação de gado vivo com um especialistaCésar Ferreira
Exportação de gado vivo no Norte Fluminense: o sonho virou realidade
Há dois anos este modelo de negócio começou a ser pensado em Campos. No último domingo (14), a primeira carga de gado foi embarcada pelo Porto do Açu.
Lembro como se fosse ontem. Em dezembro de 2023, o professor Eduardo Crespo, assessor do Gabinete do Prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, me procurou com uma proposta que a início me pareceu curiosa: incentivar a exportação de gado vivo pelo litoral do Norte Fluminense.
Fui pesquisar e descobri que não era "conversa mole para boi dormir". Diversos países compram gado vivo por questões culturais. Ao invés da carne congelada, que normalmente os frigoríficos brasileiros exportam em grande quantidade para mais de 100 países, algumas nações exigem que o abate do animal siga certos preceitos religiosos e seja feito no destino. É uma realidade que o Brasil descobriu recentemente.
Com aval do prefeito Wladimir e do vice-prefeito Frederico Paes, que logo abraçaram a ideia; e a importante participação do secretário municipal de Agricultura, professor Almy Junior, promovemos no Sindicato Rural de Campos, em fevereiro de 2024, um seminário para explicar aos produtores rurais como funciona esse modelo de exportação. Convidamos o maior especialista do Brasil para falar sobre o assunto: Adriano Caruso. E o Porto do Açu, fica próximo a Campos, logo viu na exportação do gado vivo uma possibilidade de negócio.
O assunto amadureceu. E, no último domingo, o que parecia um sonho distante tornou-se realidade: o porto recebeu a primeira carga viva para exportação. Foram 1.200 cabeças de gado Guzerá, embarcadas de navio para o Senegal, pela empresa Agro Betel. Os animais foram transportados em 60 caminhões.
A nova modalidade de exportação abre um campo enorme para produtores e fornecedores da região. Em primeiro lugar, é um incentivo para que os produtores da região ampliem e aprimorem seus rebanhos. Também haverá oportunidades para uma cadeia produtiva que envolve diversos ramos de negócio, como alimentação, tratamento de água, veterinária, construção e manutenção. Porque, antes do embarque no navio, o gado precisa passar sete dias numa Estação de Pré-Embarque (EPE) — um ambiente especialmente construído para receber o gado com as condições sanitárias e de bem-estar animal exigidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
No estado do Rio de Janeiro, por enquanto, a única EPE credenciada fica em Vassouras, no Sul Fluminense. À medida em que os embarques se tornarem rotineiros através do Porto do Açu, logo empresários locais vão perceber a vantagem de instalar uma EPE no Norte Fluminense, tornando a operação mais ágil e menos desgastante aos animais.
É importante destacar que, nesta empreitada, também tiveram papel importante a Federação da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), a Secretaria de Estado de Agricultura e a Superintendência do Ministério da Agricultura no Estado do Rio de Janeiro. Com muito trabalho e união, o que era apenas uma ideia se transformou num ótimo negócio. Um novo horizonte se abre para a economia fluminense.

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