A ingestão hídrica insuficiente favorece a produção de uma urina mais concentradaFreepik

A hidratação adequada é um dos pilares mais importantes para a saúde de cães e gatos, e muitas vezes é negligenciada na rotina dos tutores. Durante o Maio Amarelo, campanha de conscientização sobre a saúde renal dos pets, especialistas reforçam que a baixa ingestão de água pode sobrecarregar os rins e contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de doenças renais.
De acordo com diretrizes da International Renal Interest Society (IRIS), referência mundial em nefrologia veterinária, manter o animal bem hidratado é uma das principais estratégias no manejo da doença renal crônica, condição comum, especialmente em gatos idosos.
Os rins dependem diretamente de um fluxo adequado de água para filtrar toxinas e manter o equilíbrio do organismo. Quando há pouca ingestão hídrica, a urina se torna mais concentrada, aumentando a carga de trabalho renal e favorecendo o acúmulo de substâncias prejudiciais.
A médica-veterinária Iana Furtado, parceira da A Quinta Pet, explica que, além da oferta constante de água fresca, a alimentação tem papel decisivo nesse processo.
“Dietas com maior teor de umidade, como a alimentação natural, contribuem para o aumento da ingestão hídrica ao longo do dia. Isso ajuda a manter a urina mais diluída e reduz a sobrecarga sobre os rins. Já animais que consomem apenas ração seca precisam compensar essa falta de umidade bebendo mais água, o que nem sempre acontece”, destaca.
Alimentação como aliada da hidratação
A inclusão de alimentos com alto teor de água pode ser uma estratégia eficaz para complementar a ingestão hídrica. Proteínas leves, legumes e frutas seguras para cães podem contribuir para esse equilíbrio.
Segundo a especialista, preparações com ingredientes como abobrinha e chuchu, além de proteínas oferecidas geladas ou levemente congeladas, são alternativas que ajudam tanto na hidratação quanto na digestão.
Entre as frutas, algumas opções se destacam pelo alto teor de água, como melancia, melão, morango, pera e maçã. No entanto, é fundamental ter atenção: sementes e caroços devem ser retirados, e frutas potencialmente tóxicas, como uva, carambola, açaí e abacate, principalmente casca e caroço, devem ser evitadas.
Estratégias simples para aumentar o consumo de água
Pequenas mudanças na rotina podem incentivar o pet a ingerir mais líquidos. Veja algumas sugestões práticas:
* Cubos de fruta gelados: pedaços de melancia ou melão refrigerados funcionam como petiscos refrescantes.
* Forminhas de gelo nutritivas: frutas ou proteínas batidas com água ou iogurte natural podem ser congeladas e oferecidas como “geladinhos”.
* Picolés caseiros: caldo de carne sem sal e sem temperos ou iogurte natural podem servir de base para opções atrativas e hidratantes.
Mudanças devem ser orientadas
Apesar dos benefícios, qualquer alteração na dieta deve ser feita com acompanhamento veterinário. Quando há introdução de alimentação natural junto à ração comercial, a recomendação é que a adaptação seja gradual, começando com 10% a 20% da refeição e aumentando ao longo de 7 a 14 dias.
A conscientização sobre a hidratação dos pets é essencial para prevenir problemas silenciosos, como a doença renal crônica, que muitas vezes só apresenta sinais em estágios mais avançados. No Maio Amarelo, o alerta é claro: mais água hoje pode significar mais saúde e qualidade de vida amanhã.
Gatos merecem atenção redobrada na hidratação
Os gatos estão entre os animais mais suscetíveis às doenças renais, e a baixa ingestão de água é um dos principais fatores envolvidos. Diferentemente dos cães, os felinos têm menor estímulo de sede, uma herança de seus ancestrais que viviam em ambientes áridos e obtinham a maior parte da hidratação por meio da alimentação. No contexto atual, com muitos gatos alimentados predominantemente com ração seca, essa característica se torna um risco.
A ingestão hídrica insuficiente favorece a produção de uma urina mais concentrada, o que aumenta a sobrecarga dos rins e pode contribuir tanto para o desenvolvimento quanto para a progressão da doença renal crônica, condição bastante comum na espécie, especialmente em animais idosos. Além disso, a baixa hidratação também está associada a outros problemas urinários, como a formação de cálculos e a cistite.
Na prática, algumas medidas simples podem fazer diferença significativa na rotina. A oferta de alimentação úmida, como sachês ou dietas naturais, ajuda a aumentar a ingestão de líquidos de forma indireta. O uso de fontes de água corrente costuma ser mais atrativo para os gatos, que preferem água em movimento. Também é importante disponibilizar vários potes pela casa, em locais tranquilos e afastados da caixa de areia, além de manter a água sempre limpa e fresca.
Observar o comportamento do animal é essencial. Mudanças no consumo de água, na frequência urinária ou no aspecto da urina podem ser sinais de alerta e devem ser avaliadas por um médico-veterinário o quanto antes.