O prazo para contestar os descontos ilegais do INSS se encerra em 20 de junho. Mais de R$ 3 bilhões já foram devolvidos, mas ainda há milhões de vítimas que não fizeram o pedido. Se você foi prejudicado, o tempo está acabando.
Uma notícia que precisa chegar até cada aposentado e pensionista do Brasil: o prazo para solicitar o ressarcimento dos descontos indevidos aplicados nos benefícios do INSS pelo maior esquema de fraude da história da Previdência Social brasileira se encerra no dia 20 de junho de 2026. Segundo o governo federal, mais de 6,4 milhões de segurados foram afetados por cobranças associativas irregulares — e ainda há um número expressivo de vítimas que não fizeram o pedido de devolução. Quem perder essa data pode ficar sem receber o dinheiro pelo canal administrativo.
Entre março de 2020 e março de 2025, entidades associativas descontavam mensalidades diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas sem que eles tivessem autorizado. O esquema foi descoberto pela Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, e revelou um desvio estimado em R$ 6,3 bilhões. Após a descoberta, o governo federal abriu um canal administrativo de ressarcimento para devolver os valores às vítimas sem a necessidade de ação judicial. O prazo original foi prorrogado duas vezes — a segunda prorrogação, publicada no Diário Oficial em março de 2026, estendeu o limite até 20 de junho. Até esta semana, 4,5 milhões de segurados já foram ressarcidos e mais de R$ 3 bilhões foram devolvidos. Mas o número de afetados ainda é muito maior do que o de atendidos.
Na prática, um aposentado que teve um desconto de R$ 49,90 por mês não autorizado durante dois anos perdeu quase R$ 1.200 sem saber. Quem teve descontos maiores ou por períodos mais longos pode ter direito a valores ainda mais expressivos. O processo de ressarcimento é gratuito, não exige advogado e pode ser feito pelo celular em poucos minutos. Quem pedir a contestação dentro do prazo, tiver o desconto confirmado como irregular e aderir ao acordo administrativo, receberá os valores de volta diretamente na conta bancária em que recebe o benefício — sem burocracia adicional.
Mas atenção: golpistas continuam se aproveitando desse tema para aplicar fraudes. Mensagens circulando pelo WhatsApp, Instagram e SMS oferecem ajuda para "resgatar" o dinheiro da fraude mediante pagamento de taxas ou fornecimento de senhas e dados pessoais. O INSS é categórico: não envia links por WhatsApp, SMS ou e-mail, não cobra nada para processar o ressarcimento e não faz ligações para tratar do assunto. Todo o processo é gratuito e feito exclusivamente pelos canais oficiais. Qualquer mensagem fora desses canais é golpe — delete e não clique em nada.
O que fazer: acesse o aplicativo ou site Meu INSS com seu CPF e senha Gov.br. Na tela inicial, procure "Consultar Descontos de Entidades Associativas". Verifique se há algum desconto que você não reconhece. Se houver, selecione a opção indicando que não autorizou e confirme o pedido. A entidade tem 15 dias úteis para apresentar comprovante de autorização. Se não apresentar, o acordo de ressarcimento é aberto para você aceitar. Você também pode fazer o pedido pelo telefone 135 ou presencialmente nas agências dos Correios. Indígenas, quilombolas e idosos com mais de 80 anos recebem o ressarcimento automaticamente, sem precisar solicitar.
O dinheiro que foi tirado sem autorização do bolso de milhões de aposentados tem dono — e esse dono tem nome e CPF. Mas o direito de receber de volta pela via administrativa tem prazo: 20 de junho de 2026. Depois disso, o caminho se torna muito mais longo e incerto. Se você foi vítima ou conhece alguém que pode ter sido, o momento de agir é agora. Não deixe o prazo passar.
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