O tempo meio amalucado sol e chuva, calor e frio tem mudado até mesmo a rotina da varrição do quintal daqui de casa, aumentando a produção de folhas caídas por conta da ventania fora de época. Isso me fez pensar na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a tal COP30. Como o fundo musical da casa pela manhã era o rádio, é possível também que as últimas notícias que ouvi sobre o evento, enquanto varria, possam ter de alguma forma contribuído para o pensamento.
Fato é que, faltando apenas 15 dias pra reunião lá no Pará que irá decidir o que faremos nos próximos 30 ou 50 anos pra salvar o planeta, o comitê organizador ainda não deu conta de resolver um simples problema: onde botar todo esse povo. E olha que eles estão organizando isso há dois anos.
Enquanto ainda estava por ali com a COP30 na cabeça, no quintal e com a vassoura na mão, foram chegando os primeiros amigos vizinhos e, antes mesmo que o café estivesse servido, o conselho do Principado aqui de Água Santa já estava reunido para discutir a questão. Ibiapina, o crítico da realidade, disparou:
- Com os pacotes de hotéis na casa do milhão, seria mais barato para os participantes se instalarem em outros estados e pegarem voos diários pra participar do evento.
- Com os pacotes de hotéis na casa do milhão, seria mais barato para os participantes se instalarem em outros estados e pegarem voos diários pra participar do evento.
Bastou. Alguém logo sugeriu:
- Ô Luarlindo, por que você não hospeda essa gente aqui mesmo?
- Ô Luarlindo, por que você não hospeda essa gente aqui mesmo?
Concordei: afinal é sempre tempo de garantir um extra para as despesas do mês.
- Vamos erguer umas barracas aqui no quintal, e alugar a preços módicos pros conferencistas do clima. E, a julgar pelos preços atuais praticados pela hotelaria paraense, ainda vai sobrar um bom troco pro povo saborear a melhor culinária tupiniquim. A nossa!
O anúncio alegrou a turma que passou imediatamente a discutir os detalhes do cardápio:
- Vamos fazer um churrasco permanente pra atender a moçada _- declarou Nelson.
- Vamos fazer um churrasco permanente pra atender a moçada _- declarou Nelson.
- Mas eles vão passar o dia em Belém e só voltam à noite pra dormir! - Lembrou Fred, o suíço, mais acostumado aos costumes estrangeiros.
- Nesse caso é importante caprichar no café – sugeriu o vizinho de bombordo E vamos fazer uma espécie de mix nacional.
- E como é isso? Questionei, já preocupado com o aumento das despesas.
- Tem que ter ovos, café e leite, pão francês ou bisnaga e manteiga. Mas também é bom que tenha os famosos pães de queijo de Minas.
- Acho que temos que oferecer também a opção norte/nordeste: açaí, tucumã, pupunha, banana, tapioca, bolo e farinha – sugeriu Ibiapina, preocupado com a concorrência.
- Mas como vamos conseguir tudo isso? Interferiu a patroa, temendo que o serviço sobrasse pra ela.
- Liga pro Paulinho que ele tá lá no Pará pra cobrir a conferência. Com certeza já deve conhecer um bom fornecedor – lembrei.
- Liga pro Paulinho que ele tá lá no Pará pra cobrir a conferência. Com certeza já deve conhecer um bom fornecedor – lembrei.
Cardápio resolvido, o tema passou a ser o “transfer” nome bonito para transporte na linguagem turística até o aeroporto. Afinal, por essas bandas aqui de manhã cedo, não nem mesmo a charrete do leiteiro.
A solução quem deu foi Júlio, que tem a oficina no pedaço:
- Conheço um amigo dono de vans escolar. Como será meio feriado...
A solução quem deu foi Júlio, que tem a oficina no pedaço:
- Conheço um amigo dono de vans escolar. Como será meio feriado...
- Mas o feriado não é em Belém? – apartei.
- Por isso mesmo, meio. Meio feriado.
- Tá resolvido - disparei. - E vamos espalhar pelo ZAP as novidades de alojamentos para os estrangeiros que estão chegando.
Mas, cá pra nós, achei o plano mirabolante. Até que recebi uma chamada de vídeo do Cláudio barbeiro. Ficou sabendo dos planos: - sai fora, é furada, vai dar confusão!
- Pronto, reuni o povo e mandei: - melhor desistir da empreitada. Vamos continuar com nossa vidinha.
Aplausos da galera. Uma rodada de cerveja e o meu suco, natural

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.