Visita inconveniente essa do ciclone extratropical que chegou no Sul, espalhando vento forte até no Sudeste. Melhor, até aqui, na Caverna. E põe inconveniência nisso: destelhou e até destruiu casas, derrubou árvores, e rede elétrica, deixando dezenas sem casa e milhões sem luz. Vento de descabelar careca… preocupados com isso, decidimos que para a reunião dos Conselheiros dessa semana, os amigos deveriam chegar aos pares: sim, nesses tempos, faz até mal andar sozinho pro vento não carregar.
Mas não se iludam, senhores, não há ciclone capaz de segurar o bafo quente que vem por trás do vendaval: os que sobreviverão, verão. E a estação que já começa na próxima semana, promete ter uma edição especial, ainda mais quente.
Logo, o tema clima voltou à pauta do conselho dos veteranos de Água Santa. Mesmo com a situação mais calma, mais pra brisa do que furacão, decidimos aumentar os cuidados na caverna. A comida foi servida na cozinha.
Ibiapina lembrou a volta das mazelas de verão, falta d’Água e de luz.
Nelson reclamou que não há ar-condicionado que esfrie os ônibus que trafegam debaixo desse sol escaldante, apinhados de trabalhadores.
— Isso é culpa do aquecimento global. Antigamente não era assim.
— Isso é culpa do aquecimento global. Antigamente não era assim.
Verdade. Lembrei que na época dos bondes, as composições já andavam lotadas, mas, mesmo no verão, era fresquinho!!!
E as tarifas, mais modicas. Tínhamos até a opção de viajar no bonde destinado a transportar cargas: o Taioba. Será que ainda lembram?
Vi até animais no Taioba: cabras, ovelhas... Guarda-roupas, e passageiros econômicos.
Ônibus eram usados por pessoas mais abastadas. Bem, anos 60, inauguraram a linha Água Santa - Tiradentes. Por aqui, bondes no Méier, engenho de Dentro, Encantado, Piedade, Cascadura e Madureira. Campo Grande e as chamadas Ilhas, Guaratiba, Sepetiba.
Ônibus eram usados por pessoas mais abastadas. Bem, anos 60, inauguraram a linha Água Santa - Tiradentes. Por aqui, bondes no Méier, engenho de Dentro, Encantado, Piedade, Cascadura e Madureira. Campo Grande e as chamadas Ilhas, Guaratiba, Sepetiba.
Vejam que passageiros vestiam ternos e gravatas. Mulheres, inauguraram as saias batendo nos joelhos. Saudosismo? Não, recordações. Afinal, até eu era jovem. E andava no bonde, da Praça da Bandeira até a Rua Barão de Mesquita, onde estudava no Colégio Marista. Cheguei a usar o transporte levando a namorada até o Alto da Boa Vista.
Segredinho: vi muita gente dando calote no bonde. Triste cenas.
Em Copacabana, inauguraram linha de ônibus onde o motorista ficava isolado, numa espécie de cabine de comando. Apelidaram de "Camões"! Só rodavam na Zona Sul.
Até mesmo na inauguração da TV Tupi, na Urca, eu fui de bonde. Ah, e levei lanche. Tinha eu bolsa térmica, com logotipo da Kibon, que levava para a praia. Hoje chamariam de "farofeiro", hoje, muito perseguidos. Governadores até inventaram dois piscinões, um em Ramos e outro em São Gonçalo. Manobra pra manter os suburbanos longe das areias finas da Zona Sul carioca. Acho que não deu certo.
O que deu certo, mesmo, foi o bonde, até o governo Lacerda retirá-lo de circulação. No lugar, colocou os ônibus elétricos, que logo ganharam o apelido de chifrudos por conta das varas enormes que conectavam os veículos à rede elétrica. Mas também duraram pouco. Hoje, mesmo com toda tecnologia, aviões, metrô, ônibus, BRT e VLT, não tem transporte que aguente todo esse vendaval que chega arrastando com ele muito calor e chuvarada. É o Vento Verão!

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