É como sempre digo: Ano Novo, churrasco novo. Aqui em casa, vamos repetir nesse Réveillon a receita do natal: fazer uma festa legitimamente brasileira. No lugar da árvore de Natal, montamos o presépio, isso sim, tradição antiga. E na mesa, nada das tradições europeias, até porque se durante o ano inteiro eu não gosto de ave, porque justamente nas duas ceias mais famosas pela comilança eu iria abrir uma exceção. Pois bem, que fique tranquilo o Peru, porque na caverna ele não morre nem na véspera nem no resto do ano.
Mas, voltando a mesa, da ceia oficial, vou manter apenas a farofa. De resto, picanha, linguiça, fraldinha (esse manjar carnívoro) e uma bela costela.
E vou reunir, como de costume, os veteranos do Principado de Água Santa, que devem vir acompanhados das famílias.
Mas pra garantir que depois da festa, a sorte não vai embora, nesse ano, eu caprichei: sementes de romã pra distribuir pra todos os amigos e parentes, lentilhas bastantes para todos comerem e arruda pra enfeitar o pórtico do portão e afastar qualquer agouro.
A trilha sonora será uma surpresa: cada companheiro ficou de trazer um disco de vinil pra animar a festa. Eu já separei a turma das marchinhas de carnaval: Lamartine Babo, Braguinha (João de Barro) e João Roberto Kelly. Só espero que não impliquem com as letras nem sempre politicamente corretas, mas, convenhamos, ainda animadas.
Pensando em 2026, os amigos decidiram criar um grupo de apostas sobre adivinhações. Afinal, o Ano Novo é a época das previsões: previsão do tempo, previsão de emprego, previsão do amor. Previsão da previsão.
Haja previsões! Mas, difícil mesmo são esses advinhas do tempo acertarem alguma. Aliás, só conheço uma que não falha nunca: a explosão generalizada de fogos de artifício proibidos, mas que a população insiste em usar e abusar, maltratando humanos e pets. Que coisa mais sem graça essa tradição de araque.
E não vale dizer que alguém famoso vai morrer, ou que algum lugar do mundo vai entrar em guerra. Aposta boa seria, apontar uma data em que não houvesse um só conflito em lugar algum. Já pensou? Afinal, quem não deseja um dia de paz nessa vida?
Também ainda não inventaram a previsão pra aqueles apostadores incautos ganharem nessas Bets fajutas.
O amigo dono de um sítio dizia que previsão certa era com as galinhas: Asas abertas no galinheiro, sinal de aguaceiro.
Quem chegou perto foi a mãe do amigo Natalino, que previu que o filho ia nascer no Natal. Errou por pouco.
O próprio Natal que, apesar do nome, nasceu em janeiro, dizia que a única forma de acertar uma previsão é prevendo o passado, já que o futuro, amigos, ainda não existe.
Já a única previsão que ainda acredito é a do tempo.
Mas, além das adivinhações, o Ano Novo traz também os pedidos e desejos. E o que desejo pra 2026 é mais churrasco pra todos, e, claro, dinheiro e saúde, sem esses dois princípios, não há como garantir a festa. Mas se faltar a carne, e a saudade me atormentar, faço como na música do Renato Teixeira: “Eu me vingo dela, tocando viola, de papo pro ar!”
A patroa deseja a todos uma vida boa: com tempo e disposição pra ser feliz.