Ano novo, roupa nova. De resto, as velhas, mas renováveis, promessas. Atire a primeira rolha de champanhe (se l’argent tiver sobrado para a festa) aquele que nunca, nunca mesmo, prometeu a si mesmo um “ano novo, vida nova”. Aquele que jamais se programou, nos últimos dias do ano, para iniciar uma dieta logo nos primeiros dias do ano seguinte. Ou mesmo que iria parar de beber e procurar mais os amigos e a família.
Pensando nas promessas — aquelas palavras lançadas ao vento no Réveillon com mais frequência do que redes de pesca ao mar —, convidei os amigos para uma última reunião de 2025, pra tratar das benditas metas de 2026. Pra garantir que todos falariam com o coração aberto, o encontro, claro, foi regado à boa e tradicional cerveja gelada. Afinal, ninguém promete parar de beber na véspera. Nem mesmo o peru.
Logo cedo, porque no verão de amargar a gente acorda até mesmo antes do passaredo, varri o quintal pra deixar tudo pronto pro encontro. Os primeiros a chegar foram Ibiapina e o vizinho de boreste, acompanhados de três engradados e dois quilos de bife de ancho (que alegria!). E, aos poucos, a roda e a mesa farta foram se formando.
A primeira promessa, lançada quase como desafio, foi a de doar o que é velho e arrumar o armário. Mas, já nessa conta, ficaram de fora os discos antigos e seus compositores maravilhosos porque estes, afinal, são ainda atuais. E, consertando o que é preciso ser consertado, afirmo: diferentemente do que publiquei na coluna passada, os compositores da canção “De papo pro ar” são Joubert de Carvalho e Olegário Mariano. Agradeço, com apreço, à simpática leitora de Copacabana, que me alertou sobre o engano.
E, voltando às promessas… o vizinho de boreste, apontando, com o queixo, pro laptop que eu tinha deixado sobre a mesa da varanda, disse:
— E eu vou aprender a mexer nisso aí!
Gargalhada geral. Só pra neta dele, ele já deve ter dito isso uma dúzia de vezes, sempre antes de pedir uma ajudinha cibernética.
E, aos poucos, fomos listando todas as mais conhecidas: deixar o controle da tevê com a patroa, fazer os exames médicos periódicos, ir ao dentista, parar de fumar… essa, então, não tem um único ano que eu não renove!
Até que Bira levantou a lebre:
— Vamos fazer as pazes com parentes e amigos com quem brigamos por conta da política.
Houve aplausos. Todos concordaram, até que lembrei:
Ops! Essa não vai durar mesmo. Afinal, 2026 é ano de eleições.
Então propôs Fernando, aquele que entende das leis:
— Por que, então, não renovamos as promessas deles, dos candidatos?
A lista é grande, mas podemos começar com a despoluição da Baía de Guanabara.
— Essa existe mesmo antes da fusão com o Estado da Guanabara — recordei.
Mas também tem outras que merecem destaque aqui, ainda mais em dias quentes como esses:
Climatização de 100% da frota de ônibus!
Essa merece renovar a cerveja gelada no copo! E o meu suco de acerola, geladinho!
Ibiapina, então, mandou ver: — Melhor parar de fazer promessas