As discussões ao redor da mesa no Principado de Água Santa podem até começar com fatos do dia, mas o assunto sempre evolui pra trás. Foi assim na última reunião dos veteranos aqui na caverna, quando discutimos a tal política internacional, que de política tem muito pouco.
Falávamos da nova guerra de palavras, sanções e tarifas entre as grandes potências. Mas, antes, é melhor arrumar a mesa…
Aproveitando, ou melhor, fugindo de mais um dia quente de verão carioca, puxei uma mangueira de 20 metros de extensão até o quintal, pra garantir não só água pros bichos e pro mato, mas também pra refrescar os amigos, que chegaram mais cedo pra dar início aos trabalhos do nosso tradicional churrasco dos debates. Sim, porque aqui ninguém toma a palavra antes de molhar a garganta.
Cerveja gelada na mão, Fred, o suíço, argumentou que por trás da troca de farpas e ameaças, sanções e tarifas, as grandes potências estão indo ao mercado “das ocupações” com a carteira cheia de armas pra adquirir, na marra, novos territórios ricos em minérios. E, nessa toada, tá todo o mundo (literalmente) pensando: quem garante que não vão me invadir também? Ficarão de fora das preocupações os países ricos em problemas: desérticos, no meio das placas tectônicas e ameaçados constantemente por terremotos e
vulcões.
vulcões.
Tamos lascados. Além de todas essas riquezas naturais, temos a maior parte da Amazônia alertou Ibiapina.
Mas nós também temos um vulcão lembrou Júlio. É verdade. Nós temos um vulcão e ele, senhores, está em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Mas está extinto.
Mas nós também temos um vulcão lembrou Júlio. É verdade. Nós temos um vulcão e ele, senhores, está em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Mas está extinto.
Não seja por isso – afirmou Bira. Só precisamos mesmo é despertá-lo. Mas como fazer isso?
Nem precisamos. Respondi. Esqueceram que vivemos no tempo das fake News?
A reunião ganhou um tom conspirativo. Afinal, decidimos acordar o vulcão. E em pleno verão!
Não perdi tempo. Claro que pensei na economia de carvão. Brincadeira, amigos! Vamos esquecer a larva quente....
Mas o fato é que tem muita gente que não sabe da existência do morro que surgiu no local, ali na Baixada Fluminense. É considerado extinto, mas na natureza, nada é tão definitivo.
Será que um dia acordará?
Mas, imaginando manter o vulcão em “leve atividade” e apenas nas redes sociais, a notícia já atrairia uma legião de curiosos.
Nelson mandou:
Ih, vão surgir barraquinhas de churrasco ao redor.
Fred interviu:
Cerveja quente, com certeza E finalizou: Eu gosto na temperatura ambiente.
Julio tomou a palavra:
E a Serra dos Pretos Forros? Já foi vulcão?
Nadinha cortou Adilcinho. – É pedra pura. Sem vestígio. Lembram das três pedreiras que funcionaram lá até a abertura da Linha Amarela? Nem vestígios encontraram.
Antes que o assunto se transformasse numa espécie de expedição por novos vulcões, lembrei aos veteranos que a ideia era despertar o de Nova Iguaçu era apenas para afastar a ganância estrangeira.... Mas, pensando bem, só de anunciar aqui, entre os amigos, deu pra perceber o efeito colateral contrário: logo haveria uma legião de peregrinos, garimpeiros, oportunistas, empresas de turismo...
Bem, o vulcão de Nova Iguaçu existiu. Está lá. Se os interessados não tiverem pressa pra vê-lo despertar… Bem, ele dorme há 72 milhões de anos. Mas, antes que a curiosidade se volte para cá, já aviso: Principado não tem vulcão!

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