Esse ano a distribuição gratuita de calendário tá difícil. Até agora, nem mesmo aqueles mais tradicionais, de santos, de bichos e de musas das borracharias, deram as caras aqui pela região.
Nem os gratuitos, nem os pagos. A patroa mesmo já procurou as papelarias do bairro pra ver se tinha pra comprar, mas nada. Estou desconfiado que vamos voltar a era das ampulhetas. No camelô a agenda de 2026 a mais pobrezinha tá saindo a R$ 10. A saída é riscar na parede como faziam os velhos encarcerados pra contar os dias de cadeia. Atualmente, acreditem, muitos presos recorrem ao celular, que é proibido, mas tem calendário.
Aliás, hoje a prática é perguntar ao Google que dia é hoje? Lá a gente pode ver o calendário pra não se perder da triste obrigação de pagar boletos. Aliás, por falar em boletos, sempre falamos do IPTU e IPVA, mas o primeiro boleto a chegar pelo correio é a taxa de incêndio. Particularmente vou fazer o seguinte: vou no Google e puxo a folhinha do mês, imprimo, prendo na parede e vou tocando o bonde. Afinal de contas, são apenas doze meses. Apenas doze folhas que eu vou gastar.
Mas ficarei mais tranquilo, afinal, tem dias que a internet fica fora do ar. No verão, também tem dias que a luz há de faltar. Mas a folhinha, amigo, essa é porreta. Uma vez na parede, é só levantar a cabeça e a informação tá lá. Incluindo as fases da lua, que, pelo menos no passado, orientava até mesmo o dia que a gente ia cortar o cabelo. A crendice sempre foi que cortar em lua cheia ou crescente, dava mais força à peruca.
Mas voltando para o mapa dos dias, e das contas a pagar. Tradicionalmente, marco na folhinha com caneta vermelha as datas de vencimento dos boletos. Que não são poucos. Aliás, parece ironia a gente comemorar a virada do ano pra renovar as esperanças, quando no primeiro mês, já vem aquele balde de água fria e cobranças. E dá-lhe círculos vermelhos em dias e dias de janeiro…
Caramba, quase esqueci. Não é só o vermelho que colore a folhinha. Vou anotar com caneta azul o dia de pagamento do INSS. Importantíssimo. É a sobrevivência! Sobrevivência?? Talvez esteja mais para 'quase morto'.
Bem, vendo o desânimo da patroa com a falta de calendários gratuitos ou não, deu saudade da época que eu ganhava agenda. As agendas sempre foram mais sofisticadas que as folhinhas ou calendários. Como queiram. Tinha algumas que vinham de capa dura, de couro. Um luxo! Eu gostava das pequenas, que dava pra botar no bolso interno do paletó.
É, mas tudo indica que o calendário de papel está mesmo desaparecendo… como os cheques. Já quase acabaram com os cheques, em especial, os pré-datados. Quero ver quando dar um 'tilt' nessa rede de fibra óptica... Quem saberá dizer que dia é hoje?
Mas, não tem problema. E já ia esquecendo: o meu relógio é antigo, daqueles que ainda trazem calendário. Pelo menos, o dia da semana tá garantido. Pro resto e isso hoje inclui até mesmo as datas de aniversários dos amigos, parentes e conhecidos , o jeito será esperar a geringonça da tecnologia retornar, seja lá de onde ela tenha ido!