O Rio de Janeiro é o estado mais presente na COP30. Representações governamentais, estatais, empresas e ONGs funcionam como uma espécie de "Embaixadas" da antiga Capital Federal aqui em Belém, epicentro mundial das discussões sobre a urgência climáticas, promovidas pela ONU.
Uma delas é a ONG Casa Fluminense, que deu uma valiosa contribuição disponibilizando sua investigação cruzando transporte, poluição e desigualdade provando a relação direta entre eles. O estudo alerta para a urgência em acelerar o processo de transição energética e de políticas que integrem mobilidade, saúde e justiça climática.
"Um quadro preocupante: 36% dos domicílios da metrópole não têm árvores no entorno, 66% estão em ilhas de calor, e 24% das emissões de CO₂ do estado vêm da região metropolitana. Além disso, 10% dos casos de importunação ocorrem no transporte público, a maioria envolvendo mulheres negras. E 19,3% das vítimas são menores de idade. A tarifa também pesa: em média, 10% da renda das famílias é usada apenas para o transporte público”, destacou Luize Sampaio, da Casa Fluminense.
Politização das Agenda Climática
A forma é conduzida a agenda climática também preocupa especialistas. Para muitos está lenta demais, negacionista e manipulada por questões políticas e econômicas, destacando os segmentos do agronegócio, mineração e da indústria - justamente os apontados como os mais danosos ao meio ambiente. E esses efeitos são mais sentidos pelos mais pobres.
“A gente só olha o número e esquece que são pessoas que precisam do transporte público para viver, acessar conhecimento e lazer”, ressaltou Maria Clara Salvador, do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC).
Os impactos da poluição na saúde é outro efeito colateral com potencialidade letal. Essa relação foi apresentada pelo pesquisador Tom Grylls, da Clean Air Fund.
"É preciso tornar mais tangíveis os malefícios de respirar ar poluído e direcionar recursos para estratégias que enfrentem o problema de forma concreta".
Urgente Transição Energética:
Ele ainda destacou a urgência da transição energética justa e a importância de conectar o tema da qualidade do ar à qualidade de vida, lembrando que o transporte público é um direito constitucional, mas que esse direito ainda não é garantido de forma igualitária.
"Quando falamos de justiça econômica, racial, de gênero e climática e do combate à pobreza e ao racismo, precisamos falar também de transporte gratuito e limpo... Existem iniciativas que conectam qualidade do ar e qualidade de vida, e defendem políticas como a tarifa zero em dias de alta emissão, valorizando o transporte público e reduzindo o uso de carros”.
Fundada em 2013, a Casa Fluminense atua no fortalecimento de lideranças e organizações populares na busca por justiça racial, de gênero, econômica e climática, impulsionando ações territoriais, monitoramento cidadão e incidência política da Região Metropolitana do Rio de Janeiro para o Brasil.
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