Por tabata.uchoa
Inácio%2C dono do Garota de Ipanema%2C o antigo bar VelosoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Rio - Bastava um uisquinho, um barzinho e um corpo dourado a caminho do mar e o Rio já virava poesia nas mãos de Vinicius de Moraes. A cidade que tanto o inspirou guarda histórias e curiosidades sobre ele também. Seja na Casa Villarino, no Centro, onde o Poetinha conheceu Tom Jobim, ou na Rua da Acácias, na Gávea, lugar onde se abrigou entre as idas e vindas dos seus nove casamentos, o Guia seguiu os passos de Vinicius e preparou um roteiro com endereços cariocas marcantes em sua vida.

“Uma época, todo mundo ia ao Veloso”, lembra a cantora Miucha. “Depois, o Vinicius passou a frequentar o Antonio’s, ia para lá todos os dias”, completa ela, recordando o antigo nome dos bares, que hoje se chamam, respectivamente, Garota de Ipanema e Tom do Leblon — aberto esta semana. “Enquanto ele tomava uísque, o Tom preferia chope. Vinham sempre aqui. Uma vez até o Frank Sinatra ligou para cá para falar com ele”, conta Inácio, dono do restaurante rebatizado com o nome da canção mais famosa da dupla.

“Ele não comia nada, só bebia e batucava na caixinha de fósforo”, lembra o dono da Casa Villarino, Antônio Vazquez, que ainda era garçom em 1956, quando o jornalista Lúcio Rangel apresentou Tom a Vinicius no local. A boemia vespertina ia das 17h às 20h. “Na hora de ir embora, compravam um chocolate para dar às esposas para que elas não ficassem chateadas”, acrescentou a gerente, Stela Imai, lembrando das histórias que ouviu do patrão.

Mas nem só o lado boêmio do Poetinha é lembrado nas comemorações de seu centenário. Hoje, Zé Paulo Becker e Marcos Sacramento interpretam o álbum ‘Os Afro-Sambas’, no Centro Cultural Banco do Brasil, onde as celebrações vão até o dia 27. Pelas ruas, pelos bares ou becos do Rio, a alma de Vinicius se traduz no clima da cidade. Como dizia ele, ser carioca é um estado de espírito.

CASA VILLARINO

Mistura de bar e delicatessen, foi lá que Vinicius conheceu Tom Jobim, seu grande parceiro. Eles foram apresentados pelo crítico e historiador Lúcio Rangel, no verão de 1956, para musicar a peça ‘Orfeu da Conceição’. Também foi ali que o termo bossa nova foi ouvido pela primeira vez. No espaço, o White Horse, uísque preferido do Poetinha, custa R$ 14,50. Avenida Calógeras 6, Centro (2240-1627). De segunda a sexta, de meio-dia às 22h. Cc.: Todos.

A FADA AZUL E A ARCA DE NOÉ

Dedicado a bebês a partir de seis meses, o musical é baseado na primeira obra do poetinha dedicada às crianças. Escrito nos anos 70, o livro ‘A Arca de Noé — Poemas Infantis de Vinicius de Moraes’ deu origem ao LP musicado por Toquinho em 1980 e lançado um ano depois. Teatro Miguel Falabella. Norte Shopping. Avenida Dom Helder Câmara 5.332, Cachambi (2597-4452). Sábado e domingo, às 16h. R$ 40. Até 30 de novembro.

GAROTA DE IPANEMA

Antigo Veloso, o bar acabou rebatizado em 1968, em homenagem à canção mais famosa de Vinicius de Moraes. Foi lá dentro, onde passavam horas tomando uísque, que ele e Tom Jobim observaram o doce balanço de Helô Pinheiro, musa inspiradora da segunda música mais regravada do planeta. Na casa, o chope sai a R$ 6. Rua Vinicius de Moraes 49, Ipanema (2522-0340). Diariamente, do meio-dia às 2h. Cc.: Todos.

NASCIMENTO SILVA 107

O endereço citado na música ‘Carta ao Tom’ faz referência ao prédio onde Tom Jobim morou entre 1954 e 1960. Vinicius dizia que foi lá que eles ensinaram Elizeth Cardoso a cantar as canções do histórico álbum ‘Canção do Amor Demais’. Daí a letra: “Rua Nascimento Silva, 107/ Você ensinando pra Elizeth/ As canções de ‘Canção do Amor Demais’”. Ali também nasceu uma série de obras clássicas, como o álbum ‘Chega de Saudade’ e músicas da peça ‘Orfeu da Conceição’.

PARQUE GUINLE

No apartamento de um dos prédios que margeiam o belo parque, morou Vinicius de Moraes e sua quarta mulher, Maria Lúcia Proença, na década de 50. Dizem que foi lá que nasceu o álbum ‘Os Afro-Sambas’, de 1966. Vale o passeio. Rua Gago Coutinho s/nº, Laranjeiras.

RUA VINICIUS DE MORAES

Chamada de Montenegro até 1980, a rua trocou de nome em homenagem ao Poetinha, que ali viveu muitos momentos de boemia no antigo bar Veloso, onde observava a vida e a musa de ‘Garota de Ipanema’ passar com seu corpo dourado a caminho do mar.

RUA DAS ACÁCIAS 87

Foi na casa da sua irmã Leta, na Gávea, que Vinicius passou muitas temporadas de sua vida. Entre uma separação e outra dos nove casamentos que teve, na maioria das vezes, era lá que o poetinha se abrigava. A irmã Lygia, hoje com 97 anos, vive no local.

TOM DO LEBLON

Recém-inaugurado, o bar funciona no mesmo local onde ficava o antigo Antonio’s. O restaurante era frequentado pela dupla Tom e Vinicius nos anos 60 e 70, assim como por Chico Buarque, Edu Lôbo e Miucha, ente outros artistas e intelectuais. O drinque Tom do Leblon House Cocktail (uísque Jack Daniel’s, mel de gengibre, limão siciliano e Ginger Ale) sai a R$ 27. Avenida Bartolomeu Mitre 297-C, Leblon (2249-3049). Todos os dias, das 19h às 2h. Cc.: Todos.

UMA VIDA EM FOTOS

A mostra ‘Vinicius — 100 Anos’ abre os álbuns de retratos do Poetinha. Poesias, frases e figurinos desenhados por ele também fazem parte da exposição. Teatro Sesi. Avenida Graça Aranha 1, Centro (2563- 2506). De segunda a sexta, das 10h às 20h. Sábado, das 16h às 20h. Grátis. Até 7 de dezembro.

SARAU NO MUSEU

O perfil de Vinicius é desvendado através de seus poemas e canções, lidos e interpretados por Lucia Regina Lucena e Betho Borgues. Centro Cultural Justiça Federal. Avenida Rio Branco 241, Centro (3261-2550).
Hoje, às 15h. Grátis.

TOCA DO VINICIUS

Criado em 1993, o lugar é um misto de livraria, loja de discos, museu e espaço destinado a palestras, exibição de filmes, eventos musicais e tudo que seja relacionado ao Poetinha. Rua Vinicius de Moraes 129-C, Ipanema (2247-5227). De segunda a sexta, das 11h às 19h. Sábado, das 10h às 18h. Domingo, das 15h às 18h.

ENCONTROS MUSICAIS

A mistura da sonoridade africana e do samba encantou Vinicius e Baden Powell. O resultado foi o álbum ‘Afro-Sambas’, interpretado hoje, por Zé Paulo Becker e Marcos Sacramento no projeto ‘Vinicius, o Poeta do Encontro’. Amanhã e domingo, Andréa Dutra e Itamar Assiere celebram a parceria entre o compositor e Tom Jobim. Nos dias 24 e 25, as comemorações continuam com Mariana de Moraes, que relembra os parceiros musicais de seu avô. Moyseis Marques e Marcello Gonçalves fecham o evento, dias 26 e 27, interpretando composições clássicas como ‘Tarde em Itapoã’ e ‘A Tonga da Mironga do Kabuletê’. Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). De sexta a domingo, às 21h. R$ 10. Livre.

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