Rio - Maria Bethânia olhou para dentro de si e do Brasil ao gravar um dos mais elogiados álbuns de sua discografia, ‘Brasileirinho’ (2003). ‘Meus quintais’, CD que a intérprete vai lançar no segundo semestre, é mais um olhar para dentro desse Brasil interiorano, povoado por caboclos e índios.
Primeiro disco de estúdio gravado pela cantora após a morte de sua mãe, Claudionor Viana Teles Veloso (1907 - 2012), ‘Meus quintais’ é pontuado pela presença forte de Dona Canô na vida de Bethânia. O que explica a regravação de ‘Lua bonita’ (1953), hit sertanejo do paraibano Zé do Norte (1908-1979) que Bethânia já cantara no DVD ‘Pedrinha de Aruanda’ (2007) em seresta com Canô. A lembrança de ‘Mãe Maria’ (Custódio Mesquita e David Nasser) — música que a cantora gravou no álbum ‘Pássaro proibido’ (1976) — é outro sinal de que Bethânia cultiva a saudade de Canô em ‘Meus quintais’.
Para gravar o CD, a cantora recrutou grandes músicos como André Mehmari (cujo piano adorna ‘Alguma voz’, tema de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), Toninho Ferragutti (cuja sanfona molda a arquitetura ruralista de ‘Casa de caboclo’, música do compositor baiano Roque Ferreira) e João Gaspar, violonista (e bandolinista) que toca em ‘Iara’, música de Adriana Calcanhotto unida no álbum com texto da escritora Clarice Lispector (1920 - 1977).
Nome recorrente nos últimos discos de Bethânia, Roque Ferreira domina o repertório de ‘Meus quintais’ com seis músicas. São dele ‘Flor de quixabeira’, ‘Candeeiro velho’, ‘Imbelezou’, ‘Vento de lá’ e ‘Folia de Reis’. Já Chico César assina duas composições de tema indígena, ‘Xavante’ (gravada com o baixo de Jorge Helder) e ‘Arco da velha índia’. Nome novo, na obra de Bethânia, é o sambista carioca Leandro Fregonesi, que asina ‘Povos do Brasil’.
Conhecida na voz de Inezita Barroso, a ‘Moda da onça’ reitera o tom rural do Brasil da cantora. O oásis de Bethânia é o sertão brasileiro.






