Por clarissa.sardenberg

Rio - Um celular, uma ideia na cabeça e o balanço do trem. Foi apenas desses três elementos que Jessé Andarilho, de 33 anos, precisou para escrever o seu primeiro livro. No trajeto entre sua casa, na comunidade de Antares, e o trabalho, no Centro, as histórias de sua vida e dos amigos da favela da Zona Oeste onde cresceu ganharam forma em ‘Fiel’ (ed. Objetiva, 212 págs., R$ 26,90).

“Sempre que eu tinha uma ideia no trem, estava sem caneta. Aí, comecei a escrever no celular”, lembra Andarilho, que começou o livro sem pretensões. “Nunca gostei de ler ou de escrever. Repeti a sétima série cinco vezes. Até que uma amiga me deu um livro que li de uma só vez”, diz ele, que hoje já tem mais seis títulos que nasceram da mesma forma.

Livro 'Fiel' nasceu como distração Divulgação

Baseado em coisas que o autor viveu e ouviu, surgiu o protagonista Felipe, um adolescente nascido e criado em Antares. Bom de bola e de papo, após a separação dos pais ele se envolve com o tráfico, passa a mandar na favela e muda completamente o rumo de sua vida. “Tenho amigos que foram por esse caminho. Eu nunca fui, não tive coragem”, diz o autor, que, após ler ‘Zona de Guerra’, de Marcos Lopes, percebeu que tinha histórias parecidas para contar.

Se a realidade da favela era a matéria-prima de Andarilho, tudo que ouvia de interessante à sua volta também servia de inspiração e complementava o romance. “Quando escutava uma conversa que me interessava no trem, eu a incluía no livro”, confessa ele, que, para dar veracidade a ‘Fiel’, chegou a conviver com os usuários de crack da Avenida Brasil.

Com o livro concluído, bastou mostrá-lo a alguns amigos para encontrar incentivadores. Um dos padrinhos foi Celso Athayde, fundador da Cufa (Central Única das Favelas), que leu ‘Fiel’ e mandou o texto para a editora Objetiva. Outro foi o rapper e escritor MV Bill, que assina o prefácio.

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