‘Código Daúde’ traz cantora de volta após onze anos

‘Sempre fui independente. Não vendi um milhão de cópias e sumi’, afirma

Por daniela.lima

Rio - A carreira discográfica de Daúde estava parada há 11 anos — período no qual ela compôs, comprou equipamentos de estúdio e fez shows. “Tem gente que fala: ‘Você desapareceu’. Mas se você reparar, sempre fui independente. Sempre estive em gravadoras pequenas. Não vendi um milhão de cópias e depois sumi. E hoje até os grandes vendedores cantam nos lugares em que eu cantava. É uma adequação”, nota a cantora, lançando pela Lab344 o quinto CD, ‘Código Daúde’.

Daúde resgata Osvaldo Nunes em novo CD Divulgação


O novo disco começou como um projeto independente, que depois foi levado para o selo. “Tem bastante tempo que começamos. Em 2012, já gravamos algumas coisas”, recorda. O repertório põe vocais fortes, programações eletrônicas e muito peso em músicas como ‘Que Bandeira’ (de Marcos Valle, com o próprio na voz e no órgão), ‘Cala Boca Menino’ (Dorival Caymmi), ‘Como Dois Animais’ (Alceu Valença, que faz vocais na música). E grava canções de artistas da memória afetiva do suingue nacional: Antonio Carlos & Jocafi (‘Minhas Razões’) e Osvaldo Nunes (‘Segura Esse Samba’, com participação de Nelson Sargento, num pot-pourri com a sua‘Falso Amor Sincero’).

“O conceito do disco vem do meu amor por esses compositores e por eu reverenciá-los. Já o Osvaldo Nunes (1930-1991) é um cara que está no meu inconsciente. Lembro que o via na Cinelândia com uma bata afro e uma bolsa debaixo do braço. Ele usava óculos fundo de garrafa e tinha uma bunda enorme!”, brinca a cantora. “Ele foi bem transgressor, até por ser um gay que vivia no universo do samba. Não era algo comum”

Daúde, que já prepara o lançamento de ‘Código’ no Japão, foi a primeira artista brasileira a ser contratada para o selo Real World, do cantor e músico britânico Peter Gabriel. O encontro gerou ‘Te Amo Neguinha’, CD de 2003. “Eles também sofreram as mudanças do mercado e pararam com as contratações”, recorda ela, que encontrou um mundo fonográfico bem diferente após 11 anos de ausência. “As pessoas me encontram e perguntam quando vai sair meu CD. Mas é uma mídia que já está no fim. Estamos aprendendo como lidar com isso”, acredita.

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